Em tempos de pandemia, a bola está murcha

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O jovem Rodrigo Muniz, das categorias de base do Flamengo, é o artilheiro da Taça Guanabara (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)
O jovem Rodrigo Muniz, das categorias de base do Flamengo, é o artilheiro da Taça Guanabara (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

Realmente, estamos em abril, mas o clima que costuma contagiar os torcedores não empolga. No Brasil – epicentro mundial da covid-19 no mundo – as determinações das autoridades governamentais e do Ministério Público são confusas, contraditórias e frustrantes.

Vamos ao ponto. Em princípio, sou a favor do lockdown. Mas, na minha opinião, a medida deve vir com o fechamento de todas as atividades e uma fiscalização hercúlea para as pessoas ficarem em casa, a fim de não disseminar o vírus e, deste modo, reduzir a velocidade de contaminação entre as pessoas.

No entanto, o que está ocorrendo no Brasil é uma falta de coordenação no combate à maior crise sanitária vivida pelo país. De início, o presidente Jair Bolsonaro minimizou a agressividade do vírus e se apoiou em medicamentos de eficácia duvidosa, além de ser um fervoroso defensor das aglomerações ao justificar que todos devem trabalhar para não morrer de fome.

O argumento faz sentido. Porém, uma medida de segurança dura contribuiria para limitar a circulação do vírus entre a população, reduzindo, assim, o número de contágios. Por sua vez, governadores e prefeitos têm adotado medidas paliativas. Ordenam o fechamento do comércio e de atividades de serviços, porém, liberam o transporte público, onde a aglomeração é inevitável, prejudicando, portanto, o combate à disseminação do vírus. 

Se houvesse um lockdown efetivo, apoiaria esta medida que, a meu ver, deve ser dura e curta para não causar muitos danos à economia do país e às rendas das pessoas. Neste caso, me alinharia entre aqueles que proíbem a disputa de partidas de futebol.

Atitudes diferenciadas 

Contudo, o futebol se destaca entre as demais atividades pelo fato de os clubes terem à disposição equipes de profissionais de saúde que supervisionam constantemente as condições de seus atletas. Eles são testados com frequência e, ao menor sintoma, são afastados do grupo a fim de não contaminar seus companheiros de equipe ou mesmo familiares.

Trocando em miúdos, o futebol profissional é uma das raras atividades na qual o covid-19 é vigiado de perto. Para reforçar a segurança no impedimento da transmissão do vírus, as partidas estão sendo disputadas sem a presença de público nos estádios. No entanto, nem mesmo a adoção deste severo protocolo de proteção sanitária tem sensibilizado as autoridades que se mantêm firmes no propósito de proibir as partidas de futebol.

Clubes paulistas precisam se adaptar 

Gabriel Menino, pretendido pelo Chelsea-ING, se lesionou durante treinamento na Academia e pode perder a primeira partida da Recopa (Foto: Cesar Greco / Ag. Palmeiras)
Gabriel Menino, pretendido pelo Chelsea-ING, se lesionou durante treinamento na Academia e pode perder a primeira partida da Recopa (Foto: Cesar Greco / Ag. Palmeiras)

Dentre os quatro principais campeonatos regionais do Brasil, apenas o Paulistão continua paralisado, sem saber quando poderá ser retomado. Alguns clubes locais, todavia, continuam ativos. O Santos está disputando a Pré-Libertadores da América e nos dias 6 e 13 de abril medirá forças com o San Lorenzo de Almagro para ver qual agremiação entrará na Fase de Grupos da Copa Libertadores da América. Como o governo argentino proibiu voos de brasileiros para o país, a primeira partida deverá ser disputada em Assunção, no Paraguai. O segundo jogo, marcado para a Baixada Santista, deverá ser realizado no Brasil, pois o estado de emergência deverá se prorrogar até o dia 11 de abril.

O Palmeiras enfrenta o mesmo problema do Santos. Qualificado para a disputa da Recopa Sul-Americana, por ter sido campeão da Libertadores, poderá enfrentar o Defensa y Justicia da Argentina na capital paraguaia no dia 7 de abril. Já a partida de volta deverá ser realizada no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, pois a capital federal garantiu não haver nenhum impeditivo. Aliás, por conveniência, o time palmeirense permanecerá no Distrito Feral, uma vez que jogará a partida que decidirá o título da Supercopa com o Flamengo no dia 11 de abril, no mesmo local.

Por fim, o Corinthians que teve de jogar em Saquarema, litoral do Rio de Janeiro, contra o Retrô, uma equipe do interior pernambucano e integrante da Série D. O timão se classificou para a próxima fase da Copa do Brasil, porém, deixou uma péssima impressão.

O Alvinegro paulista foi dominado pelo adversário na maior parte do tempo, mas saiu na frente graças à uma falta muito bem cobrada pelo meia Otero. Entretanto, quase no final da partida, Mayco Felix fez o gol de empate e levou a decisão para os pênaltis. A situação não ficou pior porque os cinco batedores corintianos converteram suas cobranças e, desta forma, eliminaram o aguerrido time de Pernambuco por 5 a 3, pois um dos batedores desperdiçou sua penalidade máxima. Agora, o time está classificado para a Terceira Fase, onde se juntam os clubes classificados para a Copa Libertadores da América, campeão da Série B, campeões da Copa Verde e da Copa do Nordeste.

Rio, Minas e Rio Grande do Sul

Após cumpridas sete rodadas da Taça Guanabara, o Flamengo lidera a competição, confirmando seu favoritismo. Vale destacar que as primeiras rodadas foram disputadas com reservas e garotos das equipes de base. Um deles, aliás, figura como artilheiro da competição com cinco gols anotados. Rodrigo Muniz é a aposta da comissão técnica e dos dirigentes flamenguistas para o ataque do Mais Querido.

Além do Mengão, cumprem boas campanhas Volta Redonda, Madureira e Portuguesa – que seriam semifinalistas da Taça Guanabara juntamente com o Rubro-Negro. No formato da Federação do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), Fluminense e Botafogo disputariam a Taça Rio ao lado de Nova Iguaçu e Resende. Já Vasco, Boavista e Bangu estariam alijados de qualquer disputa, enquanto o Macaé seria rebaixado.

Após uma breve paralisação, o Campeonato Mineiro foi retomado neste meio de semana. Depois de seis rodadas, Atlético-MG e América-MG lideram o certame e estariam entre os semifinalistas da competição ao lado do Athletic e do Pouso Alegre. Já o Cruzeiro continua em seu calvário e amarga a 5ª colocação. Neste caso, disputaria o Troféu Inconfidência juntamente com Caldense, Patrocinense e Tombense. URT e Boa Esporte estão momentaneamente fora de qualquer disputam enquanto Uberlândia e Coimbra seriam rebaixados. 

No Gauchão, Internacional e Grêmio estão confirmando o favoritismo e lideram o campeonato. Após o cumprimento da 8ª rodada, os dois clubes de Porto Alegre estariam classificados para as semifinais da competição juntamente com Ypiranga-RS e Caxias. Pelotas e Esportivo de Bento Gonçalves se encontram nas incômodas situações de últimos colocados e, caso terminem nestes colocações, serão rebaixados.