Sobrevivente relata drama de naufrágio na Flórida: “Quando só restava eu, ficou mais difícil”

Colombiano Juan Esteban Montoya contou que viu a irmã ser atirada ao mar após o barco ser atingido por ondas de até 16 pés; eles e outros 39 imigrantes tentavam entrar ilegalmente nos EUA pelas Bahamas

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Jovem foi resgatado por um navio comercial após várias horas à deriva (foto: US Coast Guard)

A imagem de um homem sentado sobre o casco de uma embarcação tombada na costa da Flórida rodou o mundo. Trata-se de Juan Esteban Montoya, um colombiano de 22 anos, único sobrevivente de uma tragédia que tirou a vida de 39 imigrantes que tentavam chegar aos EUA desde Bimini, nas Bahamas. Montoya foi resgatado por um navio comercial na terça-feira (25), a cerca de 45 milhas de Fort Pierce. Ele estava quase três dias à deriva. A Guarda Costeira conseguiu localizar apenas cinco corpos antes de encerrar as buscas.

Nesta segunda-feira (31), o colombiano que viajava com sua irmã de 18 anos deu detalhes da tragédia em uma entrevista coletiva. Segundo o náufrago, o motor do barco parou cerca de três horas depois de sair das Bahamas. Com o mar agitado, a embarcação flutuou em direção a enormes ondas que impactaram a tripulação. “Essas ondas começaram a vir sobre o barco com cada vez mais frequência, e começamos a afundar”, relatou o jovem. Ele afirmou que pelo menos dez pessoas, incluindo sua irmã e um bebê, foram atiradas ao mar e desapareceram. Os que ficaram a bordo tentavam se segurar no barco.

Entre os imigrantes, segundo Montoya, estavam cidadãos da República Dominicana, Haiti, Jamaica e Bahamas, além da Colômbia; não havia brasileiros. Após horas lutando contra as fortes correntezas, alguns foram se soltando do barco, exaustos. “Por causa da dificuldade que estávamos passando, eles acabaram desistindo de suas vidas e faleceram. Alguns que estavam em cima da embarcação  se jogaram no mar”, disse ele em espanhol.  Aos poucos, o jovem se viu sozinho.

“Quando eu era o único que restava, ficou muito mais difícil (…) porque minha saúde já havia se deteriorado e mentalmente eu não estava bem”, falou ele.  Autoridades suspeitam que a tragédia seja resultado de uma ação de tráfico de pessoas e uma investigação foi aberta. Juan Esteban Montoya permanece nos EUA onde deverá receber asilo politico para cooperar com os investigadores.

Incidentes envolvendo imigrantes nas águas da Flórida não são incomuns. No mesmo dia em que tomou conhecimento do naufrágio, a Guarda Costeira interceptou 171 haitianos perto das Bahamas.