Exposição comemora 50 anos de Deus e o Diabo na Terra do Sol

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Exposição comemora 50 anos de Deus e o Diabo na Terra do Sol

No dia 1º de junho de 1964, o público carioca assistia, nas salas de cinema, a estreia de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Considerada um clássico do cinema nacional, a produção completa 50 anos. Para comemorar a data, uma exposição foi montada em Brasília.

Quem for ao Museu Nacional do Conjunto Cultural da República terá a oportunidade de ver fotos feitas durante as gravações. Elas mostram cenas, atores, locações, a direção de Glauber Rocha, além de instalações com vídeos. Em uma das salas, é possível acompanhar a reprodução do roteiro original de Deus e o Diabo na Terra do Sol. Filha de Glauber, a cineasta e produtora Paloma Rocha participou da abertura do evento.

Segundo ela, o filme marca a formação do cinema novo, ou seja, um processo de descolonização do cinema nacional, que sai dos estúdios. “É um filme que vai para as ruas, para o sertão. Isso representa uma revolução estética”, salienta, destacando, ainda, a atemporalidade da obra. “O grande diferencial do Glauber é essa força poética. Ele traz poesia para a revolução. Isso transforma a luta de classe em uma questão atemporal. A poesia transcende o tempo e o filme não fica datado”.

O designer Cristhian Lira também visitou a exposição. Ele conta que assistiu à produção quando era adolescente. Levou tempo para compreender o significado do que tinha visto, mas hoje tem o filme como marco. “Quando você entende um pouco melhor, vê a originalidade e a tentativa de criar uma linguagem própria, de não ficar repetindo a linguagem americana. Foi quando comecei a entender a linguagem visual”. As fotos espalhadas pela galeria do museu chamaram atenção do estudante de letras Noslen Salen. “Vejo uma tentativa de encontrar uma identidade latina. Essas são as pessoas que nós temos. Não devemos idealizar um perfil”, comenta. A exposição fica aberta ao público até o dia 28 de setembro. A entrada é franca.