Família de brasileiro acusa ICE de injustiça e maus tratos

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Imigrantes fizeram protesto para denunciar os excessos praticados pela polícia de imigração

Joselina Reis

A família do brasileiro, Aguinaldo Batista de Andrade, 39 anos, que está preso desde maio deste ano no Broward Transitional Center (BTC) acredita que ele já poderia estar solto senão fosse a intransigência do serviço de imigração. A esposa de Aguinaldo, a brasileira, Claudia Barreto, que é cidadã americana, participou do protesto de imigrantes undocumentados no domingo (5) em frente ao BTC.

Claudia, que mora em Fort Meyers, há cerca de 145 milhas do BTC, viaja todo fim de semana para visitar o marido. Espero que ele possa responder o caso em liberdade, diz a brasileira muito emocionada ao falar com a reportagem do jornal AcheiUSA. Os dois casaram em março deste ano e, antes que ela pudesse iniciar o processo do green card para Aguinaldo, ele foi preso depois que se envolveu em um acidente.

A brasileira conta que não houve outros carros envolvidos ou vítimas, mas como ele dirigia sem carteira e havia ingerido álcool foi preso em Fort Meyers e depois transferido para o BTC em Pompano Beach. Ela ainda acusa o BTC de maus tratos. Aguinaldo já perdeu oito quilos devido a má alimentação. Ele não é um criminoso. Estamos em processo de legalização, temos casa. Ele já tem direito de responder em liberdade, afirma Claudia.

Durante o protesto quatro ativistas que defendem direitos dos imigrantes foram detidos, são eles Viridiana Martínez, Daniel Alvaro, Citially Ruiz e Marco Saavedra. Eles estavam sentados no meio da rua à altura do 3900 da North Powerline Road, em Pompano Beach bloqueando o trânsito. Eles foram liberados no dia seguinte.

Protesto

Jonathas Rodrigues, membro do Centro Comunitário Brasileiro, que também esteve no protesto em frente ao BTC, revelou que os voluntários não querem violência e na maioria das vezes aguardam a oportunidade para serem presos e denunciar os maus tratos de dentro dos presídios para imigrantes. Eles colocam a vida em risco para denunciar os abusos, lembra Rodrigues. Ele revelou que dois dos quatro presos no domingo (5) já haviam sido detidos em ocasiões anteriores e liberados pela polícia porque tinham levado muita informação aos detentos.

Rodrigues espera que a comunidade brasileira possa ser mais ativa em casos como esse. Ele conta que o movimento, organizado pela ONG Dream Activits Undocumented Studentes Action & Resources Network, tem atraído pessoas de todas as nacionalidades. Estamos todos no mesmo barco. Os brasileiros precisam entrar na luta contra os abusos, disse.