Três dias após ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições brasileiras, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou, na quarta-feira (28), uma carta em que se autodeclarava o verdadeiro presidente eleito do Brasil. O documento, publicado após sua chegada a Miami, na Flórida, passou por sucessivas alterações até que a expressão fosse substituída por “líder do Brasil”. Apesar do recuo, o parlamentar manteve as acusações de fraude eleitoral, sem apresentar provas, e anunciou que pretende comandar a oposição ao governo brasileiro a partir dos Estados Unidos.
Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, circularam pelo menos quatro revisões do documento, com alterações no texto e até no brasão da República utilizado no cabeçalho. Uma delas, registrada às 4:38 p.m., no horário de Brasília, apresentava Flávio como o verdadeiro presidente eleito. Outra, publicada em sua conta na rede social X, às 5:19 p.m., ainda continha referências à condição de presidente.
Às 5:41 p.m., aproximadamente 22 minutos depois, a publicação foi editada, com a substituição dessas referências pela palavra “líder”. Uma das versões também apresentava um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, denominação histórica do país, posteriormente substituído pelo símbolo da República Federativa do Brasil.
A manifestação ocorreu em meio a uma crise política e judicial desencadeada pela saída do senador do país, mesmo após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes. Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, acusações que nega. Sua viagem, realizada com a mulher e as duas filhas, incluiu passagens pela Argentina e pelo Equador antes do desembarque nos Estados Unidos.
Na carta, o senador questionou principalmente a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a prorrogação do horário de votação até as 7 p.m. no segundo turno. O parlamentar sustentou que a medida teria favorecido Lula e classificou como matematicamente impossível o crescimento da votação do petista entre os dois turnos.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram registrados 34.393 votos após as 5 p.m., horário originalmente previsto para o encerramento da votação, número insuficiente para alterar a diferença entre os candidatos. A ampliação do período foi adotada após problemas de transporte e dificuldades de deslocamento dos eleitores. A própria campanha do candidato do PL também havia solicitado a extensão do horário em alguns estados, alegando condições climáticas adversas.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que autorizou a entrada de Flávio nos Estados Unidos, mas que não pretendia interferir diretamente na controvérsia. O republicano também voltou a questionar o processo eleitoral brasileiro, sem apresentar evidências de irregularidades. Integrantes do Partido Democrata questionaram a concessão de vistos à família Bolsonaro e o tratamento dispensado ao senador pelo governo americano, em contraste com as restrições migratórias aplicadas a estrangeiros de países afetados por conflitos.
Com informações da Folha de S. Paulo e da CNN Brasil.
