Governador de New York proíbe a bandeira dos Confederados em todo estado

Legislação aprovada esta semana também proíbe outros símbolos que fazem apologia ao nazismo e à supremacia branca

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Bandeira dos Confederados empunhada por Dylann Roof, que matou nove pessoas negras em 2015 (foto: reprodução)
Bandeira dos Confederados empunhada por Dylann Roof, que matou nove pessoas negras em 2015 (foto: flickr)

O governador de New York, Andrew Cuomo, sancionou uma lei proibindo a venda e a exibição da bandeira dos Confederados em todo o estado, alegando que ela representa um “símbolo de ódio”.

A lei começou a valer na terça-feira (15) e não se limita à bandeira, mas engloba símbolos considerados “de ódio” que fazem referência à supremacia branca e ideologia neonazista.

“Isso ajudará a proteger os nova-iorquinos dos efeitos instigantes desses símbolos abomináveis”, disse Cuomo durante a cerimônia de promulgação da lei.

Ele reconheceu que a legislação entra em conflito com a Primeira Emenda, sobre a liberdade de expressão, mas avaliou que mudanças no texto são necessárias para driblar essa garantia constitucional.

“Embora eu apoie totalmente o espírito desta proposta [liberdade de expressão], certas mudanças técnicas são necessárias para equilibrar os interesses do estado na prevenção do uso de símbolos”.

Ele citou as crescentes estatísticas de crimes motivados pela intolerância e ódio no país: “A horrível onda de comportamento anti-semita, anti-afro-americano, anti-hispânico e anti-LGBTQ se espalhando pelos EUA é repugnante”.

A proibição inclui algumas exceções, como se as imagens forem usadas em livros, museus ou como parte de um propósito educacional ou histórico.

Em julho, o governador do Mississippi, Tate Reeves, embalado pela morte de George Floyd, um homem negro desarmado, sob custódia da polícia de Minneapolis, sancionou um projeto de lei que substitui um emblema dos confederados na bandeira do estado.

No século 19, estados do sul resistiram em abolir os escravos e formaram uma Confederação dispostos a romper com os EUA, o que levou à guerra civil que durou de 1861 a 1865.

Desde então, a bandeira é vista como como símbolos do racismo e da opressão colonial.

Em junho de 2015, ela voltou aos holofotes ao aparecer em fotos de Dylann Roof, um jovem homem branco que atirou e matou nove pessoas negras que realizam um estudo bíblico em uma igreja de Charleston, South Carolina.  

Um ano depois ele confessou que o crime foi motivado por ódio racial.