Governo federal resolve processar criminalmente sheriff do Arizona

Joe Arpaio, chefe de polícia do condado de Maricopa e famoso pela linha-dura contra a imigração ilegal, é acusado de desobedecer ordens da Justiça

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Joe Arpaio desafiou ordem da Justiça
Joe Arpaio desafiou ordem da Justiça

DA REDAÇÃO – A promotoria pública federal americana divulgou na terça-feira (12) que prentende processar criminalmente o sheriff do condado de Maricopa (Arizona), Joe Arpaio, por desafiar ordens da Justiça para parar com a cruzada antiimigratória que o fez famoso em todo país, informou o jornal AZCentral.

Se condenado, o sheriff pode passar até seis meses na cadeia.

A ação tem poucos precedentes na história americana. Os promotores seguem as instruções de um juiz federal, que decidiu que o agente da lei “intencionalmente desobedeceu ordens de um juiz”.

Arpaio ainda não foi oficialmente indiciado. A juíza distrital Susan Bolton pediu ao governo federal que redija uma ordem relatando o caso para que ela a assinasse na quarta-feira (13). O documento servirá no processo contra Arpaio. 

O polêmico chefe de polícia, que ficou famoso por ser implacável na caça aos imigrantes indocumentados na sua jurisdição, disse que a ação tem razões políticas, porque acontece a menos de um mês das eleições de 8 de novembro. Arpaio é candidato ao seu sétimo mandato como sheriff de Maricopa. Ele disse que não fez nada de errado.

“Meu ponto é que isso é um ataque direto à campanha do sheriff”, disse Arpaio ao jornal The Arizona Republic. “Mas não vou desistir. Vou lutar até o fim. E espero ser reeleito.”

Especialistas em Direito disseram que os advogados e juízes envolvidos no caso terão pouco histórico para se basearem.

“Tão raro quanto um juiz federal recomendar ações contra um chefe de polícia é o fato do departamento de Justiça prosseguir na ação”, disse Paul Charlton, ex-promotor público federal do Distrito do Arizona. “É inédito”.

O adovogado do departamento de Justiça, John Keller, disse que o governo continuará a investigar alegações adicionais contra Arpaio, dois de seus auxiliares e um advogado de defesa, por ocultação de provas – por conseguinte, obstrução da Justiça – mas não prosseguirá com um caso criminal desta vez.

O caso de Arpaio, que se arrasta desde 2007, é relacionado à suposta discriminação racial usada por ele e seus agentes para identificar e prender imigrantes indocumentados.

Em 2011, o juiz federal G. Murray Snow ordenou que a delegacia do sheriff parasse de deter pessoas somente pela suspeita de que elas estariam ilegalemente no país, fora de qualquer outra razão.

Os agentes de Arpaio, entretanto, continuaram com o procedimento por pelo menos 18 meses depois da ordem do juiz.

Os críticos do chefe de policia disseram que o desafio era político, que ele havia ignorado uma corte federal para continuar com sua perseguição. Os advogados de Arpaio admitiram a violação durante audiências no ano passado, mas sustentaram que elas foram causadas por mal-entendidos e confusões, e não por desafio.

O processo complica a camapanha eleitoral de Arpaio, de 86 anos, auto-proclamado “o sheriff mais durão da América”.