Hiroshima espera que visita de Obama incentive desarmamento nuclear

Presidente dos EUA aproveita visita à Ásia para ir até a cidade; visita é considerada histórica

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Premiê japonês Shinzo Abe com Obama após jantar em 2014
Premiê japonês Shinzo Abe com Obama após jantar em 2014

DA REDAÇÃO – A viagem a Hiroshima do presidente americano, Barack Obama, é uma oportunidade para reavivar o debate sobre o desarmamento nuclear no mundo, disseram nesta quarta-feira (11) as autoridades da cidade.

A visita faz parte dos esforços de não-proliferação nuclear promovidos por Obama desde o início de seu governo, que termina em janeiro de 2017. Mas a Casa Branca adiantou que não está previsto um pedido de desculpas pelos ataques, que deixaram mais de 200 mil mortos.

“Ele não irá revisitar a decisão de usar bomba atômica no fim da Segunda Guerra Mundial”, escreveu em um blog Ben Rhodes, um dos principais assessores de política externa de Obama. O objetivo da visita, afirmou é “jogar luz no tremendo e devastador custo da guerra”.

A visita está marcada para o próximo dia 27, em meio a uma viagem de Obama à Ásia que inclui o Vietnã. Ele será acompanhado em Hiroshima pelo premiê japonês, Shinzo Abe, que anunciou a visita com um agradecimento “do fundo do coração” a Obama.

Abe foi evasivo ao ser questionado se considera necessário um pedido de desculpas, afirmando que ir visitar uma das cidade arrasadas pelos EUA na guerra deve ter sido uma “decisão importante” para Obama. Segundo o “New York Times”, a visita foi motivo de debates acalorados no governo americano, que não quer dar a impressão de estar pedindo perdão.

Somente o bombardeio a Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, matou cerca de 160 mil pessoas, de acordo com estimativas conservadoras. Três dias depois, outra bomba foi lançada contra a cidade de Nagasaki, deixando pelo menos 40 mil mortos. Os ataques levaram à rendição do Japão.

Obama foi alvo de críticas em seu primeiro ano na Casa Branca ao fazer o que os opositores chamaram de “tour da culpa” na Europa e no Oriente Médio, em que admitiu erros da política externa americana e buscou reparar a imagem internacional dos EUA, arranhada pelos anos de governo George W. Bush.

Mas em seu último ano no governo, parece ter decidido incluir em seu legado o gesto simbólico de homenagear as vítimas de Hiroshima.

O tema da não-proliferação foi um dos que geraram maior otimismo quando Obama assumiu o governo, em 2009, alimentado por um discurso em Praga no qual defendeu a ambição de um mundo sem arma nuclear. Seis meses depois, ganhou o Nobel da Paz.

O prefeito de Hiroshima, elogiou a visita de Obama como “uma decisão corajosa” e disse esperar que o presidente americano abra espaço na sua agenda para ouvir histórias de sobreviventes. “Espero que seja um primeiro passo histórico rumo a um esforço internacional para abolir as armas nucleares, um desejo de toda a humanidade.”

As divergências no debate público americano sobre como o país deve lidar com os ataques, a primeira e única vez na história em que armas atômicas foram usadas militarmente, explicam a sensibilidade da visita de Obama.

Levou 65 anos para que o embaixador dos EUA no Japão fosse ao serviço anual em memória às vítimas.

A ida de Obama a Hiroshima foi pavimentada em abril´, quando John Kerry tornou-se o primeiro secretário de Estado dos EUA a visitar a cidade.

Sunao Tsuboi, 91, líder de um grupo de sobreviventes de Hiroshima, disse que não esperava um pedido de desculpas de Obama. “Tudo o que queremos é vê-lo depositar flores no parque da paz e baixar a cabeça em silêncio”, disse à TV japonesa.