Mais de 30 mil ex-detentos da Flórida se registraram para votar

Número ficou abaixo do esperado, mas resultados costumam ser determinados por margens muito estreitas no estado

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Marcha para defender o direito de voto de ex-presidiários (Foto: Michael Fleshman/Flickr)
Marcha para defender o direito de voto de ex-presidiários (Foto: Michael Fleshman/Flickr)

DA REDAÇÃO – Mais de 30 mil ex-presidiários da Flórida se registraram para votar nas eleições presidenciais americanas, revelou uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (7), embora não se saiba quantos deles poderão ir às urnas devido às barreiras monetárias impostas pelo governador republicano, Ron DeSantis.

Desde que a Emenda 4, que restaurou o direito de voto a 1,4 milhão de pessoas com condenações anteriores, entrou em vigor em janeiro de 2019, 31.400 pessoas se registraram para votar, apontou uma análise dos registros eleitorais do “Tampa Bay Times”, “Miami Herald” e ProPublica.

O número é muito menor do que o esperado, mas na Flórida–um estado crucial para as eleições de 3 de novembro–os resultados costumam ser determinados por margens muito estreitas: em 2000, por exemplo, uma diferença de apenas 537 votos deu a presidência a George W. Bush.

Não se sabe quantos desses eleitores realmente poderão votar, porque o governador DeSantis assinou uma lei no ano passado que diluiu o poder da Emenda 4 ao impor aos detentos a obrigação de pagar todas as suas multas, taxas e restituições antes de se registrar.

Os legisladores que elaboraram esta medida argumentaram que os ex-presidiários não cumprem suas penas até que paguem todas as suas obrigações monetárias.

As custas judiciais, por exemplo, incluem o pagamento à promotoria que as processou, entre outras dívidas impagáveis para muitos.

A lei impacta desproporcionalmente afro-americanos e hispânicos, que tendem a votar nos democratas.

De acordo com pesquisas dos três veículos, metade dos 31.400 ex-presidiários registrados são afro-americanos e 52% do total se identificaram como democratas.

Outros 25% não indicaram filiação partidária e 22% disseram ser republicanos.

Para organizações de direitos humanos, a lei DeSantis validada em um tribunal de apelação em setembro é um caso flagrante de supressão de votos de minorias.