Na espanha, brasileiros foram vítimas de xenofobia

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Crianças agredidas em escola de Madri (foto) por serem estrangeiras

Um fato ocorrido em Madri este mês deve colocar ainda mais lenha na fogueira e na polêmica sobre xenofobia envolvendo espanhóis e estrangeiros. Uma empresária paulista denunciou que seus dois filhos, com idades entre 9 e 12 anos, foram agredidos em uma escola de Madri pelo fato de serem brasileiros. A notícia foi manchete nos jornais do país.
Segundo Mônica Patusca, seus filhos, Carlos Henrique e Ana Karina, que estudam no colégio Enrique Tierno Galván, na capital espanhola, desde dezembro de 2008, foram alvo de agressões físicas e xingamentos racistas por parte de outros alunos. Ela conta que o menino está fazendo tratamento psicológico para suportar “uma perseguição xenófoba que acontece desde o primeiro dia de aula, com xingamentos e violência física”. O próprio governo da Espanha reconheceu que estudantes imigrantes são alvo de xenofobia nas escolas do país.
Pelo relato da brasileira, o filho chegou em casa com as pernas roxas em várias oportunidades, afirmando ter sido agredido por um grupo de garotos da própria turma, da 7ª série. Mônica prestou queixa na polícia com um boletim médico, mostrando que a filha também sofreu agressões físicas durante o recreio. O consulado brasileiro em Madri mandou uma carta à diretoria da escola relatando a reclamação da mãe dos alunos.
Um relatório de especialistas em educação e sociologia confirmou recentemente a situação vulnerável dos estudantes imigrantes. Segundo o informe do Observatório Estatal de Convivência Escolar – feito pelo Ministério de Educação no segundo semestre de 2008 – há grandes índices de rejeição dos estudantes espanhóis em relação a alunos estrangeiros. Baseado numa pesquisa feita com 23.100 estudantes e seis mil professores do Ensino Fundamental de 300 colégios, a conclusão é de que os alunos espanhóis são pouco tolerantes para com os imigrantes. Quase a metade dos consultados, 46%, diz que prefere não fazer trabalhos escolares com companheiros latino-americanos.
Segundo o ministério, o estudo tem como objetivo revelar as barreiras existentes a um convívio pacífico entre estudantes imigrantes e espanhóis, e criar “novas bases para resolver o problema”. Mas os autores do relatório admitem que a política de integração está falhando. “Os coletivos imigrantes estão sob um grande risco de sofrer intolerância em seus âmbitos de atuação e, o que é mais grave, não houve melhora alguma dos últimos anos para cá em nenhum dos métodos de integração e informação”, disse a diretora do informe, Maria Diaz-Aguado.