Negros ganham até 31% menos que brancos, diz IBGE

Desigualdade racial no Brasil pode ser comprovada por números

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No ano passado, a renda média per capta de pretos ou pardos foi de R$ 934, metade do recebido pelos brancos: R$ 1.846 (Foto: PxHere)
No ano passado, a renda média per capta de pretos ou pardos foi de R$ 934, metade do recebido pelos brancos: R$ 1.846 (Foto: PxHere)

Trabalhadores negros têm mais dificuldade de conseguir emprego e ganham até 31% menos do que os brancos. A taxa de desemprego é mais alta e a renda média domiciliar per capta é metade da dos brancos. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A desigualdade racial no Brasil é grande e pode ser provada por números. No ano passado, a renda média per capta de pretos ou pardos foi de R$ 934, metade do recebido pelos brancos: R$ 1.846. Também a taxa de desemprego é desigual, dependendo da raça. Entre os que têm ensino superior, o desemprego é de 5,5% para brancos e 7,1% para pretos ou pardos. Já no ensino médico, brancos têm 11% de desemprego, pretos ou pardos, 15,4%.    

Quando conseguem emprego o salário continua desigual. De acordo com a pesquisa, em 2018 os brancos tinham rendimento por hora trabalhada superior aos pretos ou pardos em qualquer nível de instrução. No mais elevado, por exemplo, a diferença é 45% a mais: brancos recebiam R$ 32,80 a hora e os pretos ou pardos R$ 22,70 a hora.

Segundo a pesquisadora Luanda Botelho, do IBGE, “o nível da instrução é parte da desigualdade, mas não é todo o problema. A discriminação no mercado de trabalho também acontece”. Os brasileiros mais ricos são brancos em sua maioria. Entre os 10% mais ricos, 70,6% são brancos e 27,7% pretos ou pardos. Na população brasileira em geral, a maioria é preta ou parda: 55,8%, enquanto os brancos são 43,1%.