Plano de Trump para excluir indocumentados do Censo enfrenta resistência na Suprema Corte

O governo que está deixando o poder espera que a maioria de juízes conservadores da Suprema Corte lhe dê uma vitória rápida e, assim, evite que o caso se transforme em uma longa batalha judicial

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Resultados do Censo determinam a quantidade de assentos que cada estado detém no Congresso (foto: wikimedia)
Resultados do Censo determinam a quantidade de assentos que cada estado detém no Congresso (foto: wikimedia)

A tentativa de Donald Trump de excluir os imigrantes indocumentados da contagem do Censo 2020 dos EUA, encontrou resistência na Suprema Corte.

Durante uma audiência nesta segunda-feira (30) para avaliar a proposta do presidente, vários magistrados se mostraram relutantes em aceitar a medida, frustrando as expectativas dos Republicanos que esperavam uma vitória rápida, já que a maioria dos juízes pertence à base conservadora de Trump.

Os números do Censo são usados para definir o número de assentos no Congresso e a distribuição dos distritos nas próximas eleições americanas.

Além disso, o levantamento serve como base de cálculo na divisão de $ 1,5 trilhão do governo federal entre os estados para investimentos em políticas públicas.

Um dos principais obstáculos que a proposta de Trump enfrenta na Suprema Corte é a incerteza sobre o método que o governo usará para calcular o número de imigrantes sem documentos.

“Não sabemos quantos imigrantes serão excluídos, não sabemos qual o efeito que isso terá na distribuição”, disse o presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts.

Advogados de vários governos estaduais que se opõem ao plano alertaram os juízes que a medida transferirá dinheiro e poder político de estados com grandes populações de imigrantes.

De acordo com uma análise do Pew Research Center, se aprovada, a proposta do atual mandatário fará com que Califórnia, Flórida e Texas percam um assento na Câmara cada um. Alabama, Minnesota e Ohio manteriam um assento cada que, de outra forma, perderiam devido a mudanças populacionais. Outras previsões mostram o Arizona perdendo um assento também, e Montana adicionaria um.

“Se uma pessoa está no país há, digamos, 20 anos, mesmo que ilegalmente, por que essa pessoa não teria uma residência fixa?” perguntou Amy Coney Barrett, a mais nova integrante da Suprema Corte indicada por Trump.

Entretanto, ainda não está claro sobre qual será a decisão dos juízes.  Segundo uma reportagem do jornal The New York Times, alguns sugeriram esperar até que o Censo transmita os números à Casa Branca, inicialmente programado para o dia 31 de dezembro.

A ordem-executiva de Trump  pedindo a retirada dos indocumentados do Censo foi apresentada em julho e encontrou resistência nos tribunais de diversos estados, liderados por New York, além de outras administrações locais e grupos de defesa dos direitos humanos.