The Bored Husband

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The Bored Husband
The Bored Husband

Caso eu tivesse muito dinheiro e tempo para investir em um negócio, abriria uma rede de lojas em shopping centers chamada The Bored Husband, ou The Man Cave. Seria uma loja com vários sofás, TVs passando esportes, um bar, e mesas de sinuca. E algumas salas privadas com isolamento acústico só com os sofás (e máquina de cerveja também).

Perdi as contas de quantas vezes entrei em lojas de roupas femininas em minhas viagens com minha família, namoradas, e depois com minha filha, e fiquei com a bolsa escrotal na lua. Elas passavam horas andando em TODAS as lojas dos shopping centers, e quando não tinha uma loja de ferramentas grande o suficiente para eu me isolar, eu acabava entrando junto. Não existe coisa mais chata no mundo que ficar zanzando entre araras de roupas em lojas femininas.

Minha filha é mestre em entrar e provar tudo que tem dentro das lojas, e geralmente sai sem comprar nada. E quando estou com ela, viro cabide de roupas ambulante. Agora que ela se mudou para o Canadá e arrumou um “namorido”, passei o bastão para ele–apesar de que duvido que ele terá a paciência que eu tive… Certa vez fui com a Bianca até Milão de trem para que ela pudesse comprar umas roupas. Andei uns 30 quilômetros com ela, entrando de loja em loja e o fim ela não comprou blicas – e meus pés ficaram fervendo. Ah, um dos motivos da viagem era comer em um restaurante (casa de chá, sei lá, nem lembro direito) que tinha gatos soltos pelo meio das mesas e que poderiam ser acariciados. Tipo assim meio nojento se parasse para pensar na quantidade de pelos que poderia ter na comida – mas isso é para uma outra crônica.

Esse tipo de atitude não é exclusivo da minha família, basta olhar o saguão de alguns shopping centers: um monte de homens sentados com cara de entediado. Cá entre nós, raramente homens demoram horas para escolher alguma roupa ou sapato. A gente entra na loja, pega o que precisa (prova se realmente for necessário), paga e sai. Simples assim. No máximo pegamos duas peças de cada caso gostemos do produto para não ter que ficar comprando roupa nova toda hora, tipo a cada dois ou três anos.

Quando a Bianca se formou no “colegial” a levei no shopping center perto de casa para fazer cabelo, unhas e sei lá o que mais, para a buscar mais tarde – quando estava saindo lembrei que não tinha um terno para ir à formatura (eu tinha, mas estava embolorado no armário). Entrei em uma loja perto do cabelereiro, escolhi um terno, provei, eles marcaram a barra da calça para eu buscar depois, comprei uma camisa, uma gravata e um cinto. Da hora que entrei no shopping até sair demorei quarenta minutos cravados no comprovante de pagamento do estacionamento.

O dono do prédio onde tenho escritório na Itália estava me contando que um dia mencionou para sua namorada que estava precisando comprar duas camisas no shopping center na hora do almoço, e ela disse que queria ir junto. Assim que ele entrou na loja foi direto na pilha de camisas expostas, pegou duas e foi ao caixa pagar. Ela o interrompeu e perguntou “como assim, você não vai provar??” ele respondeu “não, é o modelo que compro sempre, eu sei que serve, podemos ir embora”. E ela meio que choramingando “Mas…mas… eu tirei o resto do dia de folga para vir com você ao shopping….”.

Esses dias vi um meme no Facebook perguntando o seguinte:

Você por acaso já viu um brechó com roupas masculinas?

Claro que não, a gente usa roupas até puir, no máximo servem como pano de chão.

PS. A bem da verdade, eu também sou capaz de ficar horas em lojas de ferramentas, mas mesmo quando não preciso de nada, nunca saio de mãos abanando!