Num campeonato de pontos corridos, como o Brasileirão, não há uma finalíssima: o título fica nas mãos da equipe com mais pontos ao final do ciclo de 38 jogos. Mas não há como negar que o confronto deste sábado entre Flamengo e Palmeiras no Maracanã tem um ar de decisão, mesmo acontecendo ainda na 17ª rodada. As duas equipes são líderes da competição e têm compartilhado uma hegemonia sem precedentes no futebol do país. E a disputa já começou nos bastidores.
“É uma rivalidade muito grande. Espero que seja um bom jogo e que, acima de tudo, o árbitro escolhido para o jogo tenha como maior característica a coragem”, cutucou o técnico Abel Ferreira, do líder Palmeiras (35 pontos). Nunca é demais lembrar que os dois últimos encontros entre os dois gigantes do futebol brasileiro foram marcados por polêmicas de arbitragem. No ano passado, por exemplo, os palmeirenses reclamaram de um pênalti não marcado de Jorginho em Gustavo Gómez (Brasileirão) e da não expulsão de Pulgar após entrada dura em Bruno Fuchs (final da Libertadores).
Do lado do Flamengo (vice-líder com 31 pontos e um jogo a menos), a vitória no clássico representa a chance de passar o rival, ainda antes da pausa para a Copa do Mundo. O time carioca chega ao enfrentamento animado com a vitória pela Libertadores, que abre a possibilidade de o Rubro-Negro terminar a fase de grupos com a melhor campanha geral para decidir as disputas do mata-mata em casa. “Queremos os três pontos e precisamos aplicar em campo a nossa maneira de jogar”, explicou Leonardo Jardim, técnico flamenguista.
Além de Flamengo e Palmeiras, o fim de semana terá ainda outros jogos interessantes, como São Paulo x Botafogo, Grêmio x Santos e Corinthians x Atlético-MG – só que estes com implicações na parte de baixo da tabela. Após a 18ª rodada, no final de maio, o Brasileirão será interrompido por 53 dias em virtude do Mundial da Fifa e só retorna no dia 22 de julho.
DROPS
- E Neymar estará na Copa. O “lobby” para ter o jogador na lista definitiva de convocados de Carlo Ancelotti foi intenso e o Mister optou por contar com a experiência do “craque”, que este ano jogou apenas 15 partidas pelo Santos. A quarta participação do Menino Ney em Mundiais está cercada de pontos de interrogação e discussões acaloradas – num mundo polarizado, não ia ser a Seleção Brasileira o tema que geraria consenso. Como o jogador costuma ser o centro das atenções, tenho certeza de que estará também em destaque após a competição: se o Brasil conquistar o hexa, ele será exaltado como peça fundamental do feito; em caso de fracasso, terá sobre seus ombros a responsabilidade pela derrota. O tempo dirá!
- A NBA está em época de finais das conferências… e só tem jogão. No lado Oeste, o atual campeão, o OKC Thunder, percebeu que tem um adversário à altura, o San Antonio Spurs, do craque Victor Wembanyama. A disputa dá toda a pinta de que vai até um possível e emocionante jogo 7, tamanho o equilíbrio das equipes. Já no Leste, o New York Knicks mostrou sua força contra o rival Cleveland Cavaliers, ao virar uma partida em que estava perdendo por mais de 20 pontos, a cerca de 7 minutos do final. Isso certamente não vai abalar os experientes James Harden e Donovan Mitchell, do Cavs, mas a cidade de Nova York merece ver o seu time na final da liga, o que não acontece há 27 anos. Meu palpite? Spurs e Knicks disputam o título a partir de 3 de junho.
- O zagueiro Dória pediu rescisão de seu contrato com o São Paulo, depois de ter sido ameaçado de morte (ele e a família) por torcedores insatisfeitos com o desempenho recente do jogador. Críticas fazem parte do mundo do futebol, mas intimidações e até violência contra atletas são inaceitáveis e ultrapassam qualquer limite de civilidade. Paixão e fanatismo são palavras constantemente associadas ao futebol, mas no Brasil o esporte também virou sinônimo de selvageria por parte da “torcida”.

