12 de outubro, dia dos brasileirinhos nos EUA

0
980

Neusa Martinez

Querido leitor, por que no Brasil o Dia das Crianças não é comemorado em 1º de junho, junto com o Dia Internacional da Criança (comemorado, pela primeira vez, no ano de 1950)? Ou mesmo no dia 20 de novembro, quando, em 1959, os 78 países que fazem parte da ONU assinaram a “Declaração dos Direitos da Criança”? Ora, meu caro, essa data só ganhou maiores proporções entre os tupiniquins por causa do comércio!

Em 1924, o então presidente do Brasil, Arthur Bernardes, decretou que o Dia das Crianças seria no dia 12 de outubro. Porém, foi só em 1960 que essa data foi reconhecida nacionalmente. Com o intuito de aumentar as vendas, a fábrica de brinquedos Estrela e a Johnson & Johnson lançaram a campanha “Bebê Robusto”. O sucesso foi tão grande que outras fábricas de produtos infantis e comerciantes criaram mais dias das crianças. No ano seguinte, todos concordaram que haveria só um Dia das Crianças por ano.

Por um lado, até que é interessante ter um dia desses. Dessa forma, os pais podem conter os filhos que querem ganhar presente o tempo todo. Por outro, existe uma magia em torno desse dia, quando a criança sente-se valorizada. A garotada espera ansiosamente o dia 12 de outubro chegar, sonhando com o brinquedo desejado, querendo estar com seus amiguinhos e ser amada e paparicada pelos pais, tios, padrinhos, avós etc. Quando crescem, esse dia continua em seus corações. O adulto resgata da memória os fatos marcantes de sua infância, como era a relação com seus pais, o carinho que recebia dos professores e a saudade dos pequenos/velhos amigos.

As famílias brasileiras que se mudam para outros países levam consigo essa tradição, ainda mais quando migram para um país onde não existe esse “dia feliz”. Um bom exemplo disso é quando chegam aos Estados Unidos e constatam que não existe o “Kid’s Day” em seu calendário anual. Alguns poderiam citar o Valentine’s Day, quando são comemoradas as diversas relações de amor, mas a maioria dos “brasileirinhos” – se não for 100% – torce o nariz, dizendo que não é a mesma coisa. Perguntei para alguns americanos e ninguém soube me responder porque aqui não existe o dia da garotada. Qual seria a explicação? Mesmo porque se trata de um país capitalista…

Na coluna desta quinzena, quero presentear os nossos “pequenos” e “grandinhos” leitores com uma matéria especial em homenagem às crianças que moram nos Estados Unidos. A seguir, vamos conhecer três adultos – Yara Maura Silva, André Martins e Daniel Azulay – que desenvolvem um trabalho sério para a garotada. Confira!

Yara Maura Silva é redatora da Mauricio de Sousa Produções desde 1972 e atualmente ocupa a posição de Vice-presidente Internacional, com escritório em New York. Há quinze anos mora nos EUA e é responsável pelo lançamento de desenhos animados, publicações e produtos da turma da Mônica em dezenas de países. Yara Maura é escritora consagrada: publicou vários livros e revistas institucionais, escreveu peças de teatro e letras de músicas com os personagens da Turma da Mônica. Ela ainda tem o privilégio de ser irmã de Mauricio de Sousa, o criador de toda a Turminha.

AcheiUSA – Quais foram os primeiros livros que você escreveu com a Turma da Mônica?
Yara – A primeira coleção de livros que escrevi foi O que você vai ser quando crescer?, com o tema “Profissões”, com 12 milhões de exemplares editados pela Nova Fronteira e distribuídos no Brasil e em Portugal. Depois disso, vieram Coleções de livros da FTD, Ler e Aprender com a Turma da Mônica, Livros de Banho, Livro com o texto da peça teatral Mônica e Cebolinha no mundo de Romeu e Julieta na coletânea A Magia do Teatro Infantil; Para a editora Globo, escrevi a Coleção Conheça a Turma da Mônica, com as apresentações dos personagens Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Chico Bento e, recentemente, os livros em braille Eu Sou a Mônica e Eu Sou o Cebolinha.

AcheiUSA – Como surgiu a idéia de fazer em versão braille os livros: “Oi, eu sou a Mônica” e “Oi, eu sou o Cebolinha”?
Yara – Mauricio criou uma nova personagem, a Dorinha, uma menina cega, que se mudou para a rua do Limoeiro e entrou para a turma da Mônica. A repercussão da inclusão social em histórias em quadrinhos infantis foi bem aceita e a Editora Globo reeditou livros da Coleção Conheça a Turma da Mônica em braille e logo em seguida me pediu para escrever mais 15 livros.

AcheiUSA – Pensa em escrever sobre a personagem Dorinha para essa série?
Yara – O novo título dessa Coleção, que será lançada na Bienal de 2006, é justamente o livro “Oi, Eu sou a Dorinha!” Já escrevi e criei o lay out para as ilustrações que serão feitas nos estúdios de Mauricio de Sousa, no Brasil. Este mês já criei o texto em versos de mais dois livros: “Oi, eu sou o Luca”, um menino em cadeira de rodas, e o “Oi, eu sou Anjinho”.

AcheiUSA – Em sua opinião existe diferença na forma com que as crianças deficientes são tratadas no Brasil e nos EUA?
Yara – Não vou estragar a surpresa! Você terá que ler os livros da Dorinha e do Luca para descobrir.

AcheiUSA – Vocês pretendem lançar essa série nos EUA também?
Yara – Os Estados Unidos receberão a turma da Mônica assim que a série de desenhos animados ficar pronta e, com a Mônica na TV, outros produtos virão. Mas em outros países, onde a TV não é determinante do sucesso de personagens, a Turma da Mônica já foi publicada com sucesso em 40 países e em 15 idiomas. No meu caso, os livros que escrevi foram publicados até na Indonésia. As editoras brasileiras geralmente distribuem nossos livros em Portugal, mas a grande novidade é que a partir do mês que vem, seis livros meus serão lançados em adaptações do português coloquial do Brasil para o português original, falado em Portugal: ABC, CORES, FORMAS, OPOSTOS, TEMPO, 123. Foi uma experiência divertida reescrever livros do português para o português.

AcheiUSA – Como anda a Turma da Mônica por esse mundo afora?
Yara – Há coisas interessantes acontecendo todo o tempo, como as palestras de Mauricio no Japão para quase três mil crianças; o sucesso da turma da Mônica na RAI Due TV na Itália; o lançamento do livro Mauricio de Sousa – na Coleção Clássicos da Banda Desenhada, em Portugal, e campanhas de utilidade pública, realizadas com a PAHO e ONU.

AcheiUSA – Do que tratam essas campanhas?
Yara – São duas campanhas importantes e serão lançadas ainda este mês: A Campanha de Vacinação Infantil da ONU, com vinheta animada exibidas em diversos idiomas nas TVs da Europa. E a campanha da PAHO/WSPA, com quatro vinhetas animadas da Mônica transmitindo mensagens sobre cuidados com animais de estimação, que estarão sendo lançadas mundialmente pela World Society for the Protection of Animals e Pan American Health Organization. Estas animações estão em três idiomas e as pessoas podem assistir pelo website http://www.paho.org

AcheiUSA – Tem alguma outra visita agendada para o Mauricio de Sousa nos Estados Unidos nos próximos meses?
Yara – Mauricio foi convidado para a reunião do Pacem in Terris Institute, ligado ao Centro Cultural Papa João Paulo II, e deverá estar em Washington em meados de novembro. Também há um convite para uma palestra de Mauricio na Harvard University na mesma época. Quem quiser ter mais informações, pode contatar-me através do e-mail: Monicatoon@aol.com

AcheiUSA – Como foi o encontro que vocês tiveram com o Papa João Paulo II?
Yara – Para mim, foi duplamente emocionante! Revi o mano Mauricio e o Papa no mesmo dia. Fomos recebidos pelo Papa João Paulo II em novembro de 2004, numa audiência privada no Vaticano. Na ocasião, Mauricio presenteou o Papa com um desenho do Cebolinha, o livro Histórias da Bíblia para Crianças e até mesmo um enorme coelho de pelúcia: o Sansão! Naquela noite, em reunião solene o presidente do Centro Cultural, cardeal Adam Maida, entregou a Mauricio de Sousa uma medalha do Vaticano confirmando a sua nomeação como Membro do Conselho Administrativo do Centro Cultural Papa João Paulo II em Washington, DC.

André Martins

AcheiUSA – Como surgiu a idéia da Fundação Vamos Falar Português?
André – Após organizar uma campanha na qual consegui mais de 600 livros de literatura brasileira e doados para Bibliotecas Públicas de Miami-Dade, deparei-me com duas questão: para que a doação fizesse sentido, teríamos de alertar a comunidade sobre a existência de tais livros. Mais ainda, motivar a comunidade a freqüentar as bibliotecas. Com isso, percebi que seria necessário algo muito mais intenso. Consultando um grande amigo e guru, Hubert Neiva, chegamos à conclusão de que o caminho seria criar uma fundação, assim surgia a Fundação Vamos Falar Português.

AcheiUSA – Que objetivos vocês pretendem alcançar?
André – A principal meta da VFP é contribuir para a fortificação da próxima geração da comunidade brasileira. Com passos modestos, mas firmes, resolvemos começar nossos trabalhos pelo sul da Flórida, mais especificamente por Miami.

AcheiUSA – Quais eventos já foram produzidos até o momento?
André – Esse ano, a VFP produziu os seguintes eventos: “Planning Day em Português” – atividades para as crianças nos feriados escolares; “Sábado a Tarde em Português” – realizamos quatro edições; e recentemente a “Festa do Dia das Crianças”. A VFP também colaborou com a produção de vários outros eventos: Youth Crime Watch International Conference; Torneio Internacional de Footvolley; Sand Soccer Tournament for Kids; Symposium on Bilingual Education, Arraial da Brazilian Mission e Cool Brazil, uma produção do CCBU. Nesse momento a VFP está colaborando na execução do programa “Brazil ao Vivo”, do Sistema Público de Bibliotecas de Broward. Serão 18 apresentações, durante seis meses. Consulte o nosso website para ver a programação.

AcheiUSA – Quais são os planos da Fundação para 2006?
André – Fechamos uma parceria para a realização de um grandioso evento, entre o Sistema Público de Bibliotecas de Miami-Dade e o Brasil será o “2006 Storytelling Festival”. Através desse projeto, uma equipe do Rio de Janeiro virá para Miami em maio e uma equipe do condado de Miami-Dade irá para o Rio de Janeiro em junho. Cada intercâmbio terá duração de uma semana. Os bibliotecários brasileiros estarão visitando várias bibliotecas de Miami, demonstrando a nossa arte e trocando informações e tecnologias. No dia 20 de maio, haverá uma grande festa aberta ao público na Biblioteca Central de Miami. Terá música ao vivo, capoeira, livros, contadores de histórias, comida típica, artesanato e exposição de documentos raros vindos da Biblioteca Nacional do Brasil.

AcheiUSA – Quantos voluntários a VFP têm? Cada qual tem uma tarefa definida?
André – A Fundação tem nove membros diretores e aproximadamente 20 voluntários. O corpo diretor da VFP conta com analista de sistemas, advogadas, educadoras, psicólogas e consultores, todos com uma meta em comum, o fortalecimento da nossa comunidade através da manutenção do nosso idioma e elevação da nossa cultura junto às crianças. Todos os diretores são, por definição, também voluntários. Nenhum recebe salário ou bonificação pelos seus serviços. Além das obrigações pertinentes aos seus cargos, cada diretor coordena um comitê diferente junto ao corpo de voluntários e colaboradores da VFP. Também gostaria de destacar o fato de que vários voluntários são solteiros ou casais sem filhos, são pessoas que realmente acreditam na nossa iniciativa.

AcheiUSA – Nos encontros, as crianças falam português o tempo todo?
André – Sim, essa é uma preocupação constante da VFP. Sem paranóia e sabendo respeitar a dificuldade inicial de algumas crianças, procuramos motivá-las a falar em português. É determinação da Coordenação de Ensino da VFP nunca criticar erros na tentativa da criança em se comunicar em português, ao contrário, deve-se sempre motivá-las a continuar falando em português, procurando repetir a palavra para a criança com a pronúncia correta, sem mencionar que ela pronunciou de forma errônea. O processo de escuta auxiliará na pronúncia correta, com o passar do tempo e sem causar frustrações ou inibições.

AcheiUSA – Fazendo uma análise, o que mudou para melhor na vida dessas crianças?
André – Aos poucos, as crianças estão descobrindo uma maravilhosa herança cultural. Elas estão começando a se encaixar em um processo de “normalidade”, percebendo que existem milhares de outras crianças que vieram do mesmo país e também estão aqui, passando pelos mesmos desafios. Assim, elas sentem-se mais confortáveis em explorar esse universo cultural. Só para citar um exemplo, na semana passada, quatro jovens cantaram a música “Tarde em Itapoã” na festa do Dia das Crianças. Apesar de estudarem música em inglês, elas tiveram a iniciativa de cantar uma música em português. Maribel Alvarez, Shihan Doering, Stephanie Machado e Vanessa Sampaio deixaram muita gente com lágrimas nos olhos…

AcheiUSA – De que forma vocês conseguiram organizar essa grande festa em comemoração ao Dia das Crianças?
André – Em uma nota pessoal, foi muito difícil. No sábado, dia 8, nós recebemos uma ligação comunicando o falecimento da Sra. Dinorá Lavigne, mãe de Walter Lavigne, um amigo e irmão, muito querido por todos nós da VFP. Ao invés de deixarmos a tristeza nos abater, resolvemos dedicar o evento à Sra. Dinorá. Quanto ao planejamento do evento em si, cada membro da VFP ficou responsável por um setor da festa e, como previsto, no dia da festa reuniram-se todas as partes como uma engrenagem perfeita. Os pais saíram de lá felizes. Com emoção, pediram que provêssemos momentos como esse mais vezes no ano. Em primeira mão, já posso anunciar que estamos com a festa de natal na prancheta, tentando achar uma forma de viabilizar o evento.

AcheiUSA – De que forma a comunidade pode ajudar a Fundação?
André – Antes de falarmos em como ajudar a VFP, gostaria de lembrar a todos os leitores do AcheiUSA o fato de que todos os programas da VFP são gratuitos. Porém, uma falha de interpretação comum é: “se os programas são gratuitos, eles não precisam de contribuição”. Sim, toda ajuda é de extremamente importante, seja doação financeira, de material ou de serviço voluntário. Quando criamos a VFP, decidimos que todos nossos programas seriam gratuitos, acreditando ser essa a única forma real de tentar reduzir essa tensão social, em que filhos de brasileiros bem sucedidos financeiramente não interagem com crianças de pais não tão afortunados. A cultura brasileira é um patrimônio de todos os brasileiros, sejam ricos ou pobres, brancos ou negros. Aquelas pessoas ou empresas que estejam interessadas em dar uma chance para o futuro dessas crianças, podem acessar o website www.vamosfalarportugues.org, onde há uma relação de e-mails de todos os membros, ou pelo telefone (786) 277-8173.

Daniel Azulay é criador da Turma Lambe-Lambe e há 30 anos apresenta programas infantis nas TVs brasileiras e se apresenta em vários lugares. Através de seu trabalho, ele une educação com entretenimento, ajudando na formação e desenvolvimento do público infantil. Daniel foi o precursor na televisão brasileira de programas infantis que exploravam a interatividade – palavra que mal se pronunciava na época. “A Turma do Lambe-Lambe com Daniel Azulay” ficou no ar durante dez anos consecutivos, em rede nacional, pela TV-E e TV Bandeirantes. Hoje, é lembrado como o programa infantil que marcou toda a geração dos anos 80, com milhares de fãs no Brasil e no exterior. A convite de Adriana Sabino, do Centro Cultural Brasil-EUA, Daniel esteve recentemente no sul da Flórida, para duas apresentações.

AcheiUSA – Como foi o começo do Daniel Azulay?
Daniel – Em 1976, os principais jornais do país publicavam meus quadrinhos da “Turma do Lambe-Lambe” com atividades e jogos escolares. No mesmo ano, iniciei um trabalho pioneiro pela TV Educativa, ensinando às crianças brasileiras como era divertido juntar material caseiro (sucata) para construir brinquedos criativos em vez de comprá-los prontos; como desenhar e criar personagens, cantei minhas músicas, lancei o “pincel mágico” e os jogos de raciocínio que apelidei de “telegames”. Meus programas não tinham anúncios, merchandising, auditório, desenhos animados ou qualquer forma de violência ou apelo sexual. Sem querer, muito antes do Sesame Street e dos videogames, eu já estava educando e brincando com a garotada na telinha.

AcheiUSA – Qual a importância no desenvolvimento da criança que ela faça atividades manuais, desenho ou pintura?
Daniel – Em 1983, iniciei a expansão da Rede de Oficinas de Desenho Daniel Azulay com o lema “criança que desenha não passa a infância em branco”. Minha proposta sempre foi a de quebrar o tabu de que é preciso ter “dom”, “talento”, “vocação” etc. A criança não desenha para se tornar artista, ela “brinca” de desenhar e descobre um mundo mágico onde cabem todos os sonhos, todo o afeto, a alegria e o aprendizado da vida. O desenho, as atividades manuais e a pintura contribuem para o equilíbrio emocional, para a auto-realização e enriquecimento interior do ser humano.

AcheiUSA – O que é exatamente o projeto “Crescer com Arte”?
Daniel – É um projeto social desenvolvido para crianças e adolescentes, reunindo atividades criativas voltadas para arte, educação e aperfeiçoamento do desenho como forma de expressão. Oferece o material necessário para o aluno e facilitador, bem como o treinamento necessário para a aplicação das atividades, testadas ao longo de onze anos com mais de 13.000 alunos nas unidades franqueadas das Oficinas de Desenho Daniel Azulay (www.danielazulay.com.br).

AcheiUSA – Creio que esse projeto seria de grande ajuda para as comunidades brasileiras espalhadas nos EUA. Você pretende lançar aqui também?
Daniel – Sim. No momento estou realizando shows e workshops em escolas, palestras para Institutos de Intercâmbio Cultural, Fundações de Apoio à Infância e Universidades. Em novembro fui convidado para participar como jurado da Olimpíada Mundial da Arte na Infância, uma realização da International Art Foundation (ICAF), entidade sem fins lucrativos com sede em Washington. Meu projeto “Growing with Art” será lançado no segundo semestre de 2006 na Flórida com a colaboração do Centro Cultural Brasil-USA.

AcheiUSA – Como foi a apresentação que você fez recentemente na Biblioteca de Deerfield Beach?
Daniel – Uma grande emoção. Principalmente pela carta que recebi de Ms Joan Martin, da Biblioteca Deerfield Beach. Em um trecho, ela escreveu assim: “Your natural wholesome, grace, friendliness and sophistication brought out even the shyest child. The children today had so much fun with your songs, pranks, comedy and jokes that every one of them went home with a laugh on their lips and a smile in their eyes! Your show was absolutely fabulous!” Foi importante constatar que meu trabalho é universal.

AcheiUSA – Qual foi a receptividade da garotada na escola Ada Merritt?
Daniel – Fiquei impressionado! O show foi realizado no palco de um grande auditório, o entusiasmo e o sorriso das centenas de crianças da Ada Merritt brincando e cantando minhas músicas, não vou esquecer tão cedo. As crianças americanas sempre me lembram da minha infância e os amiguinhos que eu tinha nas escolas em que fui aluno no British School e no American School, no Rio de Janeiro.

AcheiUSA – Teve alguma criança que fez algo ou falou alguma coisa que chamou sua atenção?
Daniel – O que mais me chamou a atenção foi a simpatia dos pais que fui encontrando em lugares diferentes na Flórida. Contaram que me assistiam pela TV no Brasil quando eram crianças e hoje estão me apresentando aos seus filhos. Um pai se despediu com um agradecimento: “Valeu, Daniel! Obrigado por ter animado a minha infância.”

AcheiUSA – Como foi a experiência de ter ilustrado o livro Without Words, de Peter Hayes e Beth Rozen, uma brasileira radicada nos EUA?
Daniel – Fiquei muito feliz de ter criado o desenho do personagem Louis. Ele é um menino de 9 anos que vivia no Rio de Janeiro e depois se muda para os EUA com os pais. As ilustrações que fiz para o livro se modificam à medida que o personagem interage com a história que vai se transformando em passagens ilustradas pelo próprio Louis. A Beth veio me ver aqui na Flórida e me informou que em breve faremos viagens para San Francisco, Boston, Flórida e New York para autografar o livro com “pocket-show” para crianças brasileiras e americanas.

AcheiUSA – Qual dica de atividade que você poderia dar aos pais que têm pouco tempo para ficar com seus filhos?
André – Estimulem as crianças para o desenho com atividades artísticas e criativas. Elas são fundamentais para o entrosamento e diálogo na família. É um privilégio para os pais, incentivar e supervisionar com afeto a educação de seus filhos, da melhor maneira possível.