Histórico

13 mil detentos já saíram da prisão em São Paulo

A população teme o aumento da violência por causa da saída temporária de presos no Dia dos Pais

Segundo informações da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) do Estado, dos 13.085 indultados, 12.912 deixaram os presídios hoje. Amanhã (12), a previsão é de que mais 173 presos sejam beneficiados.

Alguns arriscaram voltar para o crime e retornaram mais cedo para a prisão, outros aproveitam a folga para matar saudade e resolver questões do mundo fora da cadeia. É o caso de Marcos E.R., de 50 anos, preso desde janeiro de 2004. Condenado a sete anos de prisão por atentado violento ao pudor, ele aproveitou o primeiro dia fora das grades para rever amigos e solucionar pendências para conquistar o regime semi-aberto. Liberado do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de São Miguel, na zona leste, Marcos começou a “correria” às 7 horas. Foi direto para a Penha, na zona leste da capital paulista, onde tomou café da manhã na casa de José Antônio dos Santos, de 59 anos, amigo de mais de três décadas. “Nunca quis saber se ele teve ou não culpa. O que importa é que ele sempre respeitou minha família.” Às 9 horas, foi para o Brás, na loja de Otávio de Souza, de 59 anos, antigo patrão, para quem o detento voltará a trabalhar no dia 18 como representante comercial.

Ele também tentou renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), mas ainda não pode fazer o curso obrigatório. Mesmo envolto a burocracia, ainda encontrou tempo no meio da tarde para ir à dentista. “O primeiro dia de saída é muito tenso A gente anda como se estivesse dentro do presídio, com medo de tudo.”

Carlos (nome fictício), de 28 anos, levará o filho de 7 anos ao shopping. Domingo (13), os dois irão ao Playcenter, na zona norte. Hoje, às 8 horas, ele deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) Chácara Belém I, na zona leste. Esperou por dois amigos detentos por pelo menos duas horas e juntos caminharam por meia hora até a Estação Tatuapé do Metrô. Os três desceram na Penha, onde moram. Na hora da despedida, Carlos aconselhou um deles. “Não bebe, faz tudo direito, vê se volta.”

Balada – Na Penitenciária Feminina do Butantã, na zona oeste, foi praticamente dia de festa. Do outro lado do portão, parentes e amigos esperavam, ansiosamente. Às 7h30, 15 pessoas aguardavam as detentas beneficiadas. Arrumadas e maquiadas, 315 presas saíram como se fossem a uma balada, aos poucos, da penitenciária. “Agora é hora de aproveitar todo o tempo para ficar com a família”, disse Ana Paula Oliveira, de 29 anos, ao abraçar a filha de nove anos.

As detentas permaneceram na frente do presídio até a última sair. Muitas têm amigas ou filhas em outras alas, mas parte delas também aproveitou para a oportunidade para cobrar o maço de cigarro, ou a camiseta que vendeu para a colega. “Sair com pouco dinheiro é difícil. Então a gente cobra”, disse uma das presas.

Na hora de ir para casa, o ônibus era o transporte mais usado. Porém, uma presa que saiu num Audi preto e outra num Honda Civic. A polícia tinha listado cinco mulheres da Penitenciária do Butantã como pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), três delas saíram hoje. Aparentemente, sem monitoramento.

Entre os que voltaram para a cadeia por cometer crimes durante a licença, está Carlos da Silva, de 29 anos. Ele viajou 577 quilômetros após deixar o Centro e Progressão Penitenciária (CPP) de Valparaíso, no oeste do Estado, até o Tatuapé, na zona leste da capital. Ficou pouco. Condenado por roubo, caiu em nas mãos da polícia pela quarta vez ao tentar o mesmo crime numa loja de roupas infantis. Ele não tem filhos e, pela identidade que traz apenas o nome da mãe, provavelmente não conhece o pai. “A SIG estava monitorando os presos que teoricamente tinham grau maior de perigo. Ele era um dos que estavam sendo acompanhados”, informou o delegado Luiz Carlos Carmo, titular da 5.ª Delegacia Seccional. Dois detentos do Instituto Penal Agrícola de Bauru beneficiados pelo saída temporária para o dia dos país também voltaram à prisão no mesmo dia. Um deles foi barrado já na porta do presídio, de onde saía com documentos de identidade de três mulheres, duas folhas de cheques em branco e documentos de um veículo roubado. Outro foi encontrado num clube por volta das 22h30, horário em que os indultados não podem permanecer me locais públicos.

Em Campinas, no interior do Estado, dois presos do regime semi-aberto do Centro de Progressão Penitenciária Ataliba Nogueira foram presos antes de chegar em casa. Consumiam drogas no centro da cidade. Em Leme, Paulo da Silva Santos, de 29 anos, que havia saído para ficar com a família no Dia dos Pais, foi morto com três tiros disparados por um motociclista enquanto conversava com um amigo.

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