A insensatez do atentado

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Antonio Tozzi

Enquanto os funcionários da Prefeitura de Boston removem os últimos escombros deixados pelas explosões no local de chegada da maratona realizada na segunda-feira (15) e os policiais coletam todas as informações necessárias para descobrir o autor (ou autores) do atentado, uma pergunta consome a mente das pessoas: Por quê?

Realmente, fica difícil entender o significado de se perpetrar um atentado dessa natureza que matou e feriu pessoas inocentes, cuja única culpa foi ter a ousadia de passar um dia ao ar livre e confraternizar-se com seus parentes e amigos.

Até agora três vítimas fatais deixaram exatamente os parentes e amigos perplexos. A estudante chinesa Lu Lingzi que veio estudar na Boston University; Krystle Campbell, gerente de uma rede de restaurante de comida rápida, e o garoto Martin Richard, de apenas oito anos, queriam apenas ter alguns momentos de lazer e foram mortos.

O menino, aliás, tornou-se o símbolo desse atentado, uma vez que ele e sua família foram duramente atingidos. Martin faleceu, sua mãe está internada com traumatismo craniano e sua irmãzinha de cinco anos perdeu uma das pernas. Muitas pessoas perderam membros e terão de viver o resto de suas vidas com os membros amputados ou usar próteses para conseguir voltar a ter uma vida normal.

Não, não há explicação. Nada pode justificar um ato covarde e traiçoeiro. Covarde porque o autor (ou autores) se esconde (m) sob o anonimato, característico de pessoas que não dão valor à vida humana. Na verdade, não deve dar valor à própria vida ao agir desta maneira. E traiçoeiro, porque é feito sem avisar, sem ter alvos definidos e sem sequer um objetivo determinado – pelo menos até agora ninguém sabe o que motivou a confecção de duas bombas caseiras rústicas e a detonação delas no meio da multidão da mais famosa maratona do mundo. Participar da Maratona de Boston faz parte do sonho da maioria dos corredores de longas distâncias.

Isso leva os responsáveis pela segurança a redobrar as precauções em eventos públicos ou de grande visibilidade. Eventos como a Indy 500, em Indianápolis, ou o Kentucky Derby, ambos programados para o mês de maio, são agora alvos de extrema atenção para evitar que se repitam as cenas horrendas vistas em Boston.

O Brasil, por sua vez, também precisa fazer sua lição de casa. Por sediar dois dos principais eventos esportivos do mundo – Copa do Mundo de Futebol em 2014 em várias cidades e Jogos Olímpicos de Verão em 2016, no Rio de Janeiro -, precisa montar um esquema de segurança eficaz e preventivo a fim de reduzir as probabilidades de ocorrer algum tipo de ato terrorista.

Os incautos podem recorrer a sofismas do tipo “Todo mundo adora o Brasil”, “Somos um país pacífico” e outros do gênero. Isto pode até ser verdade, embora ache esta visão um pouco liliputiana, mas o serviço de segurança brasileiro precisa estar atento à segurança de delegações de países estrangeiros que podem ser alvos de algum tipo atentado.

Não é segredo para ninguém que EUA, alguns países europeus como Inglaterra e França, ou mesmo os mais radicais como Cuba, Irã e Coréia do Norte podem sofrer atentados. Israel, por exemplo, está fazendo uma boa campanha nas Eliminatórias da Europa e pode classificar-se para a Copa do Mundo no Brasil. Apesar da forte presença da comunidade judaica no Brasil, não dá para negar que a delegação israelense necessita de uma proteção redobrada.

O que se questiona é o seguinte: o Brasil tem condições de garantir a segurança de todas as delegações e dos turistas/torcedores/jornalistas estrangeiros que forem ao país? Permitirá que serviços de segurança de outros países atuem dentro do Brasil? Nossos agentes estão ou estarão suficientemente preparados para agir, caso seja necessário?

Como se percebe, a tarefa não é fácil. Países com esquemas mais efetivos têm sido vítimas de atentados e ainda choram suas vítimas. Aqui nos EUA, ocorreram vários, mas os que mais marcaram foram o 11 de Setembro, em New York; o atentado em Oklahoma, e agora este em Boston. Em Londres, também houve um atentado no metrô, assim como na estação de trens de Madri. Os Jogos Olímpicos em Munique, em 1972, registraram um ataque covarde à delegação israelense. Isso sem contar com as bombas quase diárias explodidas nos países do Oriente Médio.

A maldade não tem rosto e nem manda recado. Portanto, é preciso ainda contar com a sorte, porque, sem dúvida, é uma tarefa inglória identificar terroristas e seus artefatos antes que eles explodam. É claro que as polícias possuem cães farejadores treinados para detectar explosivos, especialistas em desativar bombas e um batalhão de policiais prontos para intervir e prender os maus elementos. Mas muitas vezes é difícil identificá-los no meio da multidão, sobretudo nas grandes cidades.

Por isso, nessa época de Big Brother, prevista anteriormente por Aldous Huxley há mais de meio século, o posicionamento de câmeras onipresentes e a proliferação de telefones celulares podem ser armas importantes para identificar aqueles que estão por trás desses atos insensatos.