A primeira vítima das manifestações

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Antonio Tozzi

Santiago Ilídio Andrade, 49 anos, carioca, cinegrafista da TV Bandeirantes, foi a primeira vítima fatal das tais “manifestações pacíficas” que tomaram conta das principais cidades brasileiras.

Agora, depois da prisão de Caio Silva de Souza, que confessou ter acendido o rojão que atingiu o cinegrafista, e do tatuador Fábio Raposo, envolvido no incidente, começam a pipocar teorias sobre as origens destas manifestações. Segundo o advogado de um dos acusados, jovens pobres recebem R$150 para participar destes atos a fim de dar a impressão de serem manifestaçòes populares.

Sem entrar no mérito de que Souza já havia sido detido por porte ilegal de entorpecentes, o importante aqui é discutir porque certos atos de governo geram reações tão despropositadas, como foi o caso deste incidente ocorrido no dia 6 de fevereiro no Rio de Janeiro, em represália ao anúncio do reajuste nas passagens de ônibus do município.

Na verdade, o objetivo é indispor a população contra as autoridades constituídas e, mais do que isto, demonizar os policiais como agentes que destratam os cidadãos de bem ao agir com firmeza para evitar que o caos se propague.

Diante desse impasse, as forças de manutenção da ordem ficavam entre a cruz e a espada. Se os policiais agiam com energia, eram acusados de surrar “trabalhadores indefesos e defender o patrimônio dos mais ricos”. Caso cruzassem os braços, eram chamados de ineficientes “por não salvaguardar a ordem pública e os bens das pessoas que pagam impostos escorchantes e não contam sequer com a proteção policial”.

Essa ocorrência, porém, pode ser um divisor de águas para os tais movimentos. No início, tentou-se impingir aos policiais a autoria do disparo do artefato que tirou a vida do cinegrafista. Pura má fé. Policiais usam apenas bombas de gás lacrimogêneo (cuja ação química provoca ardor nos olhos e na garganta) e bombas de efeito moral (que causam barulho mas não lançam nenhum tipo de fogo).
Depoimentos de testemunhas e imagens, no entanto, foram suficientes para identificar os verdadeiros autores do incidente que resultou na morte de Santiago Andrade. E agora, com a confissão dos próprios réus, fica difícil tergiversar sobre um fato incontestável. O trabalho dos advogados passa a ser o de pintar seus clientes como cidadãos de bem, trabalhadores, que causaram inadvertidamente a morte de outro trabalhador.

Mas, deixemos de lado as questões judiciais, e enfoquemos as consequências destes atos. Como se disse anteriormente, são cada vez mais fortes as denúncias de que partidos políticos estão por trás disto com o objetivo de provocar uma instabilidade no país e, assim, talvez conseguirem angariar simpatizantes para suas causas e ideologia.

Por enquanto, é cedo para apontar qual ou quais partidos estariam instrumentalizando estes jovens – e mesmo se isto é verdadeiro. Mas uma coisa é certa: os planos dos artífices do caos sofreu um duro golpe.

Tudo está (ou estava) sendo preparado para desaguar na Copa do Mundo, com os manifestantes aproveitando a presença dos turistas e da mídia estrangeira para fazer um tremendo barulho e demonstrar as mazelas brasileiras para o público externo.

Para isto, contavam com aliados importantes, como a imprensa, entidades de classe como OAB, ABI, igrejas etc. A morte de Santiago provocada por um dos manifestantes, porém, comprometeu a estratégia destes ideólogos do caos. A partir de agora, se os “black blocs” saírem às ruas encapuzados serão repelidos pelos policiais com todo apoio da imprensa que obviamente não quer ver outro de seus representantes como mártir. E isto estende-se também às outras entidades.

Desta maneira, o movimento tende a esvair-se porque pouco a pouco os participantes irão desistir, uma vez que ninguém gosta de interpretar o papel de vilão. Ao contrário dos adeptos da jihad islâmica que são idolatrados por suas maluquices, os jovens brasileiros sentirão na pele as borrachadas que doerão ainda mais por falta de solidariedade.

Ruim também para os baderneiros que aproveitavam as ocasiões para promoverem destruição de bancos e lojas, com direito a saques. Agora, a sociedade exige que os participantes que estiverem nas manifestações saiam de cara limpa e não lancem mão de recursos que lhes garante o anonimato, como lenços e máscaras.

Discute-se até mesmo no Congresso Nacional se os participantes destas manifestações podem ser enquadrados na Lei de Terrorismo – e pensar que tudo começou de maneira genuína e até ingênua quando integrantes da classe média foram às ruas para demonstrar a insatisfação com “tudo isto que está aí’.

Pelo menos, a Dona Fifa deve estar sorridente, uma vez que aumentaram as chances de que seu evento transcorra sem maiores problemas. Com isto, fica mais fácil renovar com os patrocinadores e aumentar seu caixa.