AFL-CIO apóia a reforma imigratória com cidadania

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Delegados da convenção votaram unanimemente em favor de um plano que inclua a cidadania para os indocumentados

A maior organização sindical dos Estados Unidos votou em apoio a uma reforma imigratória que inclua uma via para a cidadania para os imigrantes indocumentados.

A American Federation of Labor and Congress of Industrial Organizations (Federação Americana do Trabalho e Congresso das Organizações Industriais–AFL-CIO) decidiu durante a Convenção 2013 que respaldará um projeto abrangente.

Seus dirigentes acrescentaram estar convencidos de que a reforma imigratória beneficiará o futuro do movimento trabalhista nos Estados Unidos e criará milhões de votantes favoráveis à sua causa.

“Estas milhões de pessoas um dia serão eleitores”, disse Laura Reyes, falando em nome do AFSCME, o maior sindicato de empregados de serviço público no país. “E um dia elas nos ajudarão a ganhar as lutas em muitos estados onde agora não é possível”, divulgou o diário La Opinión em sua página digital.

A AFL-CIO também aprovou esta semana que trabalhadores não associados, incluindo imigrantes sem papeis, poderão juntar-se à central.

De acordo com a resolução aprovada unanimemente, a federação sindical oferecerá benefícios limitados a estes novos membros, como apoio sindical, assessoria política e legislativa, divulgou The Associated Press.

“Esta resolução é significativa porque agora estamos compartilhando o movimento com todos os trabalhadores, estejam sindicalizados ou não”, disse à agência Ana Avendaño, assistente do presidente da federação para Assuntos de Imigração e Mobilização Comunitária. “Unidos a eles, somos um movimento mais forte”.

A reforma imigratória está sendo debatida no Congresso. No final de junho, o Senado aprovou um plano que inclui um caminho para a cidadania para indocumentados que estão nos Estados Unidos desde antes de 31 de dezembro de 2011 e não possuam antecedentes criminais.

Os beneficiados

O senador Bob Menéndez (democrata de Nova Jersey), um dos integrantes do Grupo dos Oito que redigiu o projeto, disse que o plano, se aprovado, beneficiará entre 8 e 9 dos 11 milhões de indocumentados.

A liderança da Câmara de Deputados determinou que esta instância debata sua própria iniciativa de lei, mas por partes. Até agora, pelo menos seis emendas foram aprovadas, entre elas uma que criminaliza a estadia indocumentada, um ato que por ora constitui-se em uma infração de caráter civil.

Por sua vez, o presidente do Congresso, John Boehner (republicano de Ohio), recorreu à regra Hastert. Ésta somente permite enviar ao plenário iniciativas que tenham o respaldo da maioria da maioria, ou seja, 118 dos 234 votos republicanos.
Os democratas asseguram que entre 40 e 60 republicanos respaldam uma reforma imigratória com cidadania como a aprovada pelo Senado. Isto, somado aos 195 dos 201 votos democratas, ultrapassa os 218 mínimos necessários para aprovar leis no plenário.
Larry Cohen, presidente do sindicato Comunications Workers of America, disse que a federação prevê que “milhares” de trabalhadores latinos não associados juntem-se “imediatamente”, assim que for aprovada a reforma imigratória.

Ao plano já aprovado pelo Senado e ao debate dirigido pelos republicanos na Câmara de Deputados, soma-se o esforço realizado pelo Grupo dos Sete (quatro democratas e três republicanos) que redigem um projeto em segredo.

A iniciativa incluiria uma via de legalização para indocumentados que não tenham antecedentes criminais e que deverão reconhecer ter violado as leis americanas, e entrar em um status probatório por cinco anos. Cumprido este prazo, poderão pedir a residência ou green card, que lhes será enviado em um prazo de cinco anos. Cinco anos mais tarde poderão pedir a cidadania.

O plano do Senado não criminaliza a estadia sem papeis, oferece o green card em um prazo de 10 anos e outros três de espera para solicitar a cidadania.

Parlamentares de ambos partidos advertiram que a situação na Síria e o debate sobre o orçamento e o endividamento podem causar o adiamento da reforma imigratória bem além do previsto, provavelmente até 2015.