Al Gore e Grupo da ONU para Mudança Climática ganham o Prêmio Nobel da Paz

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O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, e seu presidente, o indiano Rajendra Pachauri, são os vencedores do Prêmio Nobel da Paz 2007, anunciou o Comitê do Nobel.

O Prêmio Nobel da Paz é dotado de US$ 1,5 milhão e será entregue junto com os outros prêmios no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de seu fundador, Alfred Nobel.

Gore agradeceu o prêmio e afirmou que o assunto é “uma verdadeira emergência planetária”. “Sinto-me muito honrado em receber o Prêmio Nobel da Paz. Estamos diante de uma verdadeira emergência planetária. A crise climática não é um assunto político, é um desafio moral e espiritual para toda a humanidade”, disse.

Gore afirmou que doará a sua parte do prêmio de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 2,7 milhões) à Aliança para a Proteção do Clima, uma organização da qual é presidente.

O novo Prêmio Nobel da Paz, o ex-vice-presidente americano Al Gore, conseguiu com seu ativismo que o meio ambiente adquirisse a mesma importância na consciência pública que a luta pela paz.

O interesse de Gore pela ecologia vem desde 17 anos atrás, antes de ter sido vice-presidente dos Estados Unidos durante o mandato de Bill Clinton (1993-2001), quando foi reeleito como senador democrata pelo Tennessee em 1990.

No entanto, o verdadeiro reconhecimento chegou após a estréia no ano passado do documentário “Uma Verdade Inconveniente”, premiado como melhor documentário na última cerimônia de entrega do Oscar e que descreve as graves conseqüências do aquecimento global.

O filme invoca os estudos científicos que advertem que o aquecimento global gerado pelas emissões de gases poluentes causará uma mudança climática que acabará com a vida atual tal como a conhecemos, a menos que esta contaminação seja detida.

Gore, 59, candidato à Casa Branca nas eleições presidenciais de 2000, recebeu, além disso, no último dia 6 de junho o Prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional, que honrou sua “decisiva contribuição para o progresso na solução dos graves problemas da mudança climática”.

Muito antes, em 1991, publicou o livro “Terra em Balanço: Ecologia e o Espírito Humano”, no qual falava sobre grandes mudanças ecológicas necessárias para enfrentar o século 21.

Gore, nascido na capital americana no seio de uma família de políticos do Tennessee – seu pai também foi senador -, iniciou sua carreira política em 1976, quando foi eleito representante deste Estado ao Congresso dos Estados Unidos.

Em 1988, tentou obter pela primeira vez a candidatura presidencial democrata, mas não teve êxito e se retirou no meio das primárias.

Sua grande oportunidade política chegou após passar pela Casa Branca como vice-presidente de Bill Clinton, de quem, no entanto, sempre tentou manter uma certa distância.

O político democrata, que atualmente vive um de seus momentos de maior popularidade graças a seus interesses ambientais, esteve a ponto de se transformar em presidente dos Estados Unidos em 2000, ano no qual, realmente, conseguiu em todo o país cerca de 300 mil votos a mais que seu oponente George W. Bush.

Mas o complexo sistema eleitoral americano e, finalmente, uma decisão da Suprema Corte, impediram sua chegada à Casa Branca.

A seu favor contava a experiência obtida durante sua etapa de vice-presidente, uma época na que os EUA viveram a fase de expansão econômica mais longa de sua história.

Tachado de frio e rígido, – para alguns parece um robô e ele mesmo chegou a fazer brincadeiras sobre si – Gore é também um homem caseiro, dedicado a sua família, a sua esposa Tipper e a seus quatro filhos, Karenna, Kristin, Sarah e Albert.

Al Gore, “o príncipe Al”, como o chamavam seus companheiros do elitista colégio St. Albans, de Washington, se transforma hoje no 20º americano agraciado com o Nobel da Paz.

Anteriormente o prêmio havia sido concedido a figuras políticas de primeira ordem como os ex-presidentes Theodore Roosevelt (em 1906) e Jimmy Carter (em 2002), o ativista Martin Luther King (em 1964) e o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger (em 1973).

Alguns pensam que esta condecoração poderia sustentar uma possível tentativa de Gore de voltar à Casa Branca em 2008, mas, por enquanto, e apesar de que há gente que quer apoiá-lo, como o ator Leonardo diCaprio, Gore pensa em continuar trabalhando passo a passo para que sua mensagem em favor do meio ambiente chegue à sociedade.