Al Lamberti, sheriff de Broward: ‘Nossa missão é servir a comunidade’

0
1156

Comandante geral da polícia do condado de Broward esclarece que a polícia somente faz seu trabalho de proteção e defesa da sociedade, e não atua como órgão de imigração

Por: Jorge Nunes e Antonio Tozzi (Exclusivo)

Circulam dentro da comunidade brasileira fortes rumores de que o escritório do sheriff do condado de Broward teria um acordo assinado com o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega e braço policial do Departamento do USCIS) para pegar imigrantes indocumentados e entregá-los aos agentes do ICE para que sejam colocados em processo de deportação.

Para esclarecer de uma vez por todas essa questão, nossa reportagem procurou o sheriff Al Lamberti, ocupante do principal posto de autoridade policial do condado de Broward, e ele foi peremptório: “Isto não existe. Não temos nenhum acordo deste tipo com o ICE. Aliás, é bom frisarmos para todas as comunidades estrangeiras que a atuação de nossa força policial concentra-se somente na detenção de malfeitores e não agimos de forma alguma como agentes do Serviço de Imigração”.

Pessoas próximas ao sheriff têm levantado a hipótese de que os rumores poderiam estar sendo espalhados pela oposição política, que estaria se aproveitando da situação para atingi-lo politicamente, minando a candidatura à reeleição para sheriff em novembro de 2012, quando concorrerá como representante do Partido Republicano.

Lamberti recebeu a reportagem do AcheiUSA em seu gabinete, e explicou que a área de atuação de proteção aos cidadãos já é bastante abrangente para dar mais essa atribuição aos policiais, a de verificar o status imigratório dos residentes do condado. “As pessoas não sabem o que fazemos e confundem as coisas, por isto queremos fortalecer este relacionamento. Não somos um órgão da imigração. O ICE é um órgão federal e não temos nenhuma conexão com eles”, reafirmou.

O que ocorre algumas vezes é a verificação por parte dos agentes do ICE dos nomes de algumas pessoas detidas que se encontram nas cadeias do condado e que foram presas pela polícia. Eles fazem isto para checar se entre eles pode haver algum estrangeiro procurado, conforme explicou o sheriff: “Por ter poucos agentes atuando, eles vão às cadeias e puxam as fichas das pessoas: nome, data de nascimento, social security. Se a pessoa for procurada por alguma infração imigratória, eles assumem a custódia deste estrangeiro”.

Evidentemente, a polícia do condado não pode impedir que agentes do ICE, um órgão federal, entrem em suas delegacias para fazer o trabalho deles. “A troca de informações entre órgãos federais, estaduais e municipais é comum para ajudar na captura de elementos perigosos, mas não enviamos para eles uma relação de pessoas detidas. Os agentes acessam estes dados, que são de conhecimento público, e podem requisitar suas presenças em uma de nossas instalações, algo que não podemos evitar”, esclareceu o chefe de polícia de Broward.

Bom relacionamento

A fim de evitar que seja instaurado um clima de medo na comunidade brasileira, em função desses boatos e mal-entendidos, Lamberti defende a necessidade de se estreitar os laços entre a polícia e os moradores de Broward. Um exemplo disto é o evento National Night Out, programado para o dia 2 de agosto, entre 6:30 e 9:30 da noite, no Founders Park, em Pompano Beach, e também a coluna no AcheiUSA que ele passará a assinar a partir da próxima semana, respondendo às dúvidas e perguntas dos leitores.

Em 2009, a polícia de Broward organizou um evento para 60 brasileiros, no qual foram dados cursos como CPR (exercício para salvar vidas) e outras atividades, com as instruções dadas em português para facilitar a comunicação com os brasileiros. O departamento oferece até mesmo aulas de cívica para a preparação de postulantes à cidadania americana.

Uma vida dedicada à segurança pública

Al Lamberti classifica-se antes de tudo como um policial. Com cerca de três décadas na corporação, ele possui cursos na Academia do FBI (onde obteve uma das mais altas avaliações) e sempre se dedicou à segurança da população, cuidando até mesmo dos abrigos de proteção para furacões. É o único policial de carreira na história do Broward Sheriff Office a alcançar o posto mais alto da corporação.

Embora o condado de Broward seja majoritariamente democrata (cerca de 70% dos eleitores votam no Partido Democrata), Lamberti acredita na reeleição porque seu trabalho à frente da polícia vai além de disputas políticas, e está concentrado na missão de tornar o seu departamento o mais eficiente possível para atender às cerca de 1,8 milhão de pessoas que vivem no condado. Para proteger esta população, o sheriff conta com um efetivo de cinco mil policiais, incluindo os integrantes do Corpo de Bombeiros e outras atividades de proteção da sociedade, como segurança dos portos e aeroportos. O orçamento para tocar esta máquina vem do estado da Flórida e da prefeitura do condado de Broward.

Planos políticos para o futuro? Al Lamberti garante não ter ambições políticas. Se reeleito, cumprirá o mandato por mais quatro anos e depois se afastará. Caso seja derrotado, pega o boné (ou melhor o quepe) e volta às suas atividades pessoais, como dedicar-se à família, organizar uma liga de baseball para crianças e outras atividades de cunho social.

Para encerrar, o sheriff do condado de Broward garantiu estar sempre de portas abertas para a comunidade brasileira: “Se tiver algum problema na comunidade brasileira, é só nos procurar, estamos aqui para promover a segurança dos moradores deste condado”.
Faz sentido. Afinal, o lema da polícia de Broward, segundo o sheriff, é servir a comunidade.