Americana nega acusação de ter matado bebê em microondas

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A investigação policial sobre a morte de um bebê que foi queimado em um forno de microondas é complicada devido à falta de estudos sobre o efeito destas ondas em seres humanos. Mesmo assim, a polícia do Estado americano de Ohio prendeu na última segunda-feira (27) China Arnold, 26, acusada de ter usado este tipo de forno para matar sua filha.

Arnold foi presa mais de um ano após ter levado a filha, Paris Talley, um bebê de um mês, para o hospital em agosto de 2005. Paris já estava morta quando foi atendido pelos médicos.

“Temos razões para acreditar, baseados em provas forenses, que um forno de microondas foi usado para matar o bebê”, disse Ken Betz, oficial do Condado de Montgomery. Segundo ele, as provas incluem queimaduras internas e ausência de marcas de queimadura externa na pele do bebê.

A conclusão é confirmada pela investigação da polícia da localidade de Dayton. A causa da morte foi determinada como sendo a alta temperatura corporal da vítima. De acordo com Betz, a ausência de marcas de queimaduras excluiu a possibilidade de Paris ter se queimado com chamas, água fervente ou qualquer outra forma de calor que danificaria sua pele.

Defesa

O advogado de Arnold, Jon Paul Rion, disse que ela nega qualquer envolvimento na morte da filha. Segundo ele, sua cliente teria ficado chocada com a conclusão policial de que um forno de microondas foi utilizado.

Arnold chegou a ser presa quando Paris morreu, mas foi liberada em seguida. Segundo o porta-voz da promotoria Greg Flannagan, foi preciso empreender uma longa investigação até que os promotores pudessem estabelecer uma causa provável para o assassinato e conseguir um mandado de prisão.

Um forno de microondas foi apreendido como parte das provas no caso.

O juiz municipal Bill Littlejohn fixou a fiança de Arnold em US$ 1 milhão nesta terça-feira (28). Ela participou de uma audiência da cadeia do Condado por meio de uma transmissão de vídeo. Segundo seu advogado, Arnold alegará inocência.

Outro lado

A acusada diz que na noite anterior ao dia em que o bebê foi levado ao hospital, ela e o pai de Paris se ausentaram durante um breve período e deixaram uma babá em casa. Segundo o advogado, Arnold não percebeu nada de anormal até encontrar Paris inconsciente na manhã seguinte.

O pai de Paris, Terrel Talley, disse que sua filha estava bem quando ele e Arnold chegaram em casa depois de a deixarem sob os cuidados da babá –que é irmã do pai do bebê. “Quando entrei em casa, meu bebê estava sentado na cadeirinha do carro, dormindo, e viva” afirmou. “A babá não tinha feito nada com ela.”

Outro caso

Em 2000, uma mulher no Estado americano da Virgínia foi condenada a cinco anos de prisão por matar seu filho de um mês em um forno de microondas. Elizabeth Renee Otte alegou não se lembrar do assassinato, ocorrido em 1999.

Segundo especialistas, Otte tem epilepsia e suas convulsões são seguidas de lapsos de memória.

Louis Bloomfield, professor de física na Universidade da Virgínia, disse que ferimentos causados por microondas danificam rapidamente os nervos. As ondas eletromagnéticas do forno cozinham primeiramente através da água presente nos alimentos. A moléculas de água são aquecidas ao serem movimentadas para frente e para trás cerca de 2,5 milhões de vezes por segundo, afirmou.