Americano com jeitinho brasileiro

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Michael Church está ajudando a comunidade brasileira a se organizar politicamente

Todos que se mudam para os Estados Unidos ouvem sempre a mesma cantilena: O brasileiro não é unido, por isto não vai para a frente. Ou então: Devemos seguir o exemplo dos cubanos que são organizados.

Pois bem, o tempo das lamentações e das desculpas está ficando para trás. O Centro Comunitário Brasileiro (CCB) conseguiu a valiosa ajuda de Michael Church, americano nascido no Alabama e representante do Partido Democrata.

Com sua experiência, ele vem dedicando-se a organizar a comunidade brasileira para que consigamos exercer a influência desejada – e necessária junto às autoridades locais. Os brasileiros não sabem o poder que têm, afirmou Church. Com apenas 250 ou 300 votos, é possível influenciar na eleição de um vereador, que pode defender os interesses da comunidade, completou.

Outro exemplo é a eleição para sheriff do Broward County, marcada para 17 de julho. Por que a comunidade não pode ter um candidato para apoiar, comprometido com suas causas?, indaga o ativista democrata. Ele mesmo responde: Claro que pode! E deve! Somente assim os brasileiros passarão a ser valorizados pela importante contribuição dada às cidades desta região, referindo-se principalmente ao norte do condado de Broward.

No caso do chefe de polícia, a eleição é particularmente importante, porque ele é quem determina como devem comportar-se sues comandados. Church assegurou que o envio de pessoas para as cadeias é algo sinistro por representar um negócio, conforme explicou: As cadeias são privatizadas, portanto, funcionam como se fossem hotéis. Ou seja, precisam de ocupação para manter sua rentabilidade. E um acordo entre as autoridades policiais e os empresários deste ramo de atividade garante o volume de ocupantes. Se o chefe de polícia cancelar este acordo, eles deixam de faturar, adverte.

E fique claro que Church não apenas dita regras. Ele mesmo põe a mão na massa e está coordenando o cadastramento do banco de dados dos brasileiros que vivem nesta área. Mesmo que a maioria da comunidade seja formada por pessoas que não se tornaram ainda cidadãos americanos não invalida o esforço feito, na opinião dele. Ora, embora não podendo votar, os brasileiros relacionam-se com cidadãos americanos (nativos ou naturalizados) e podem pedir votos para os candidatos que estejam alinhados com os propósitos da comunidade, asseverou o democrata.

Um exemplo da pressão organizada foi a rejeição, em Tallahassee, de um projeto de lei similar à lei implantada no Arizona, que assustou os parlamentares e impediu sua aprovação. Isto comprova que o ideal é replicar este tipo de ação em todos os níveis – local, estadual e federal para poder mudar o atual padrão político vigente em alguns estados americanos.