Americano fã do Brasil assina livro sobre Quilombo dos Palmares

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Pesquisador, que já lançou outros livros com temas brasileiros, aborda a trajetória de Zumbi

DA REDAÇÃO COM CAIO CAMPOS

ARQUIVO PESSOAL
Glenn Cheney

Glenn Cheney

Um dos episódios mais importantes da história do Brasil virou tema de livro – só que escrito em inglês e dedicado ao mercado norte-americano. Com lançamento em novembro, Quilombo dos Palmares: Brazil’s Lost Nation of Fugitive Slaves reconta a fuga de milhares de escravos africanos que se rebelaram contra seus senhores e se refugiaram na Serra da Barriga, em Alagoas, no século 17. A comunidade criada por eles, o Quilombo dos Palmares, chegou a abrigar mais de 20 mil escravos que, liderados por Zumbi dos Palmares (personagem-ícone na luta contra o racismo), desenvolveram cultura, idioma, religião e economia próprios.

O livro é de autoria do pesquisador norte-americano Glenn Cheney, um apaixonado pelo Brasil e por sua história. O escritor–que já tem em sua bibliografia outros livros com temas brasileiros, como a obra de Machado de Assis e a realidade de comunidades pobres na Amazônia–conversou com o AcheiUSA sobre o livro e sua admiração pelo país.

AcheiUSA – O que fez o senhor se interessar pelo Quilombo dos Palmares?
Glenn Cheney – Foi o caráter dramático e simbólico dessa história, além de sua força e importância para os negros. O fato de ser um tópico desconhecido aqui nos Estados Unidos também contribuiu.

AU – O senhor acredita que o livro terá interesse da comunidade afro-americana no país?
GC – Espero que sim–apesar de livros sobre o Brasil não terem um sucesso, digamos, retumbante junto ao público americano. Mas pela história estar muito ligada aos ancestrais dos negros e à sua trajetória, acredito que possa ser do interesse deles, sim.

AU – Esse é seu quarto livro com tema ligado ao Brasil. Como começou essa relação?
GC – Eu vivi no Brasil na década de 1970. Morei na região central de São Paulo, próximo à Avenida Paulista, e também em Minas Gerais, onde me casei. Havia ido fazer uma viagem de mochileiro após me formar na faculdade. Viajando por lá, acabei ficando sem dinheiro e resolvi ir ficando, já que gostei muito. Depois desse período, já de volta aos EUA, acabei visitando São Paulo de novo, mas já estava tudo bem diferente.

AU – Acabamos de ter uma eleição presidencial no Brasil. O senhor acompanhou?
GC – Sim, li algumas coisas sobre o assunto. Costumo brincar com amigos que no Brasil eu voto nulo (risos), já que na verdade não tenho como votar lá. Nessas eleições, gostei muito da Marina Silva. Geralmente, eu daria apoio ao PT, mas as acusações de corrupção me decepcionaram um pouco com eles. De toda forma, espero que a presidente Dilma faça um bom governo e consiga por em prática as mudanças que quer fazer.