Americanos pedem em La Paz por extradição de Sánchez de Lozada

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Cerca de 60 cidadãos norte-americanos participaram, nesta terça-feira, de uma manifestação diante da embaixada dos EUA em La Paz, para pedir a extradição do ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada, refugiado em Washington.

O protesto, organizado por familiares das vítimas da chamada “guerra do gás”, de 2003, foi realizado no terceiro aniversário da renúncia e fuga de Sánchez de Lozada e um dia depois de o presidente Evo Morales ter pedido a expulsão do ex-governante.

Os distúrbios de outubro de 2003 deixaram ao menos 67 mortos e 500 feridos, a maioria na cidade de El Alto, abrindo um ciclo de instabilidade que levou ao triunfo eleitoral de Morales, em dezembro passado.

Vestidos de preto e carregando cruzes brancas com os nomes dos mortos de outubro de 2003, os norte-americanos disseram que estavam “envergonhados e indignados” pela aparente proteção de Washington ao ex-governante boliviano, acusado de genocídio e crimes financeiros.

“Estamos aqui para exigir que o governo dos Estados Unidos cumpra o pedido formal do governo e do povo boliviano de notificar Gonzalo Sánchez de Lozada (e seus ex-ministros) Carlos Sánchez Berzaín e Jorge Berindoague”, disse a porta-voz do grupo, Maggie Fogarty.

A justiça pediu há 16 meses que os EUA notifiquem Sánchez de Lozada sobre o processo contra ele, porém Washington não deu prosseguimento ao trâmite até agora.

Indignado pela demora, Morales pediu na segunda-feira aos EUA a expulsão de Sánchez de Lozada e anunciou uma campanha internacional em apoio à solicitação.

A extradição de Sánchez de Lozada é uma das promessas eleitorais de Morales e motivo de protestos quase semanais diante da embaixada norte-americana.