Anistia pede ajuda da UE contra violência policial no Brasil

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Nesta quarta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para Lisboa, encontra o primeiro-ministro português, José Sócrates, antes de uma cúpula européia.

A Anistia Internacional pediu na terça-feira a Portugal que use seu mandato na presidência da União Européia para tratar da questão da violência policial e dos direitos humanos no Brasil.

Entidades de direitos humanos e advogados dizem que policiais cometeram um “massacre” com a megaoperação na semana passada no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, quando 19 pessoas foram mortas.

“A Anistia Internacional pede que `Portugal` estabeleça um precedente para os próximos seis meses ao ter uma discussão franca sobre os direitos humanos com o Brasil”, disse a entidade em nota.

O texto diz ainda que o Brasil não pode ignorar as raízes da violência, como a pobreza, a exclusão social, a corrupção e a ineficiência do Judiciário, e critica o governo por tentar “equiparar o crime organizado ao terrorismo”.

Patrick Wilcken, que estuda questões brasileiras na sede do grupo, em Londres, disse que a participação da Força Nacional de Segurança Pública na ocupação do conjunto de favelas do Alemão, na quarta-feira, é alarmante por colocar em dúvida a disposição do governo em adotar políticas mais respeitosas com os direitos humanos.

“Parte da retórica de Lula e o uso da Força Nacional certamente despertam questões sobre o compromisso do governo com uma abordagem mais sofisticada para a segurança”, afirmou.

Lula anunciou na segunda-feira pesados investimentos para levar água potável e outras melhorias a favelas cariocas, numa tentativa de conter o avanço do narcotráfico, estratégia que tem o aval das ONGs.

Mas ele também disse que haverá dureza contra os traficantes, ridicularizando quem “acha que só é possível enfrentar a bandidagem com pétalas de rosas”.

ONGs, advogados e deputados estaduais que participaram do encontro com as autoridades fluminenses disseram que ficou acertado que especialistas independentes vão analisar os laudos apontando sinais de assassinatos a queima roupa e torturas, como acusam alguns moradores.

“Se ainda existir suspeita de execução depois disso, podemos solicitar que os corpos sejam exumados e novos laudos sejam feitos”, disse o deputado estadual Marcelo Freixo. Segundo ele, os moradores do Alemão também acusaram a polícia de agressões e saques.