Ano novo reacende a esperança dos brasileiros

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A comunidade reage à crise e revela a certeza em um 2009 melhor

Depois do ‘tsunami’ de 2008 nos Estados Unidos, marcado pela repressão aos imigrantes e pela crise financeira sem precedentes, a sensação entre os brasileiros que vivem no sul da Flórida é a de que o pior já passou. A reação dos mercados às medidas adotadas pelos bancos centrais de vários países para estimular o economia e a escolha de nomes interessantes para ocupar cargos-chave do governo Obama encheram de esperança os empresários, profissionais e membros da nossa comunidade. Tanto que todos são unânimes em dizer que 2009 será muito melhor do que o ano que se encerra em poucos dias. É tempo de renovar a esperança.

Não podemos ter a ilusão de que tudo vai melhorar só com a virada do ano, mas eu acredito que o período de pânico já ficou para trás”, diz Marco Reis, da USA Tax. Ele, que teve cerca de 10% de redução dos negócios em 2008, espera crescer no ano que vem e, para tanto, está ampliando o escritório, em Pompano Beach. “O importante é perceber que a crise não é apenas no nosso quintal, mas no mundo todo. Nesse sentido, os Estados Unidos têm boas chances de se reerguer mais rápido do que as outras nações”, avalia.

Crescimento é a palavra de ordem também para a Interact Moving. Segundo a proprietária Inês Perugine, o ano de 2008 não foi ruim, até porque o segmento esteve bastante aquecido com o retorno de muitos brasileiros ao país natal, mas a expectativa é de um 2009 ainda melhor, apesar da forte concorrência. “É um mercado complicado, que depende de variáveis como a burocracia e corrupção nos portos brasileiros, mas as perspectivas são ótimas, especialmente porque temos 14 anos de experiência”, afirma Inês, que pretende oferecer os serivços da companhia em outros centros com forte presença brasileira.

O retorno de parte da comunidade acabou sendo fundamental também para movimentar outro setor: o de passagens aéreas. Telma Piton, da Able Travel, ressalta que a sua empresa foi afetada pela crise, mas os vôos one-way e o forte turismo doméstico no Brasil salvaram o ano. “Essa é a vantagem de atuar nos dois mercados”, explica Telma. Ela quer entrar 2009 com o pé direito e, depois da idéia original do parcelamento de tíquetes, planeja outras novidades para os clientes. “A criatividade é fundamental para enfrentar as épocas difíceis, mas um pouco de pensamento positivo também ajuda”, diz.

Quem também não pode reclamar de 2008 é Marcos Silva, da Silva Auto Sales. A diversificação dos seus negócios acabou sendo crucial para atravessar a crise com força. “E só podemos esperar que 2009 seja ainda melhor, com presidente novo, o preço da gasolina caindo e o fim da guerra no Iraque”, prevê Marcos. Outro que esbanja otimismo é Wanderlei Oliveira, do Oba-Oba. “O restaurante tem uma clientela fiel, mas a intenção é buscar outras comunidades e renovar cardápio, instalações e programação”, adianta. Ele estima que perdeu cerca de 30% de clientes assíduos, mas tem certeza que tudo melhora depois da virada.

Para a advogada Melissa Dacunha, o ano de 2008 foi “desafiador” para quem trabalha com imigração. “O governo exerceu uma pressão quase nazista sobre os indocumentados, separando famílias e provocando pânico nas comunidades de estrangeiros. As perspectivas para 2009 são as melhores possíveis”, torce. Ela, porém, não crê em uma aprovação de uma lei imigratória que anistiará mais de 12 milhões de pessoas, mas tem a certeza de que a futura administração vai ser mais condescendente com os imigrantes. “Só isso já é um prenúncio de melhores dias para os brasileiros”, afirma.

Um dos setores mais atingidos pela crise, o imobiliário, é outro que também depende da conjuntura do país para se reerguer. Por isso, a realtor Glória Stanislau prevê um ano complicado, talvez com bons resultados na seguinda metade. “Os Estados Unidos vão se recuperar, pois são um país muito forte. Os problemas nos últimos meses serviram de aprendizado para todos nós e agora temos que ter fé de que tudo vai melhorar”, ensina Glória. Uma palavra, segundo ela, resume o sentimento que todos os brasileiros precisam ter na nova fase que se inicia: união. “Mais do que nunca precisamos estar unidos, pois assim, juntos e cooperando uns com os outros, vamos todos superar a crise”, finaliza.