Antônio Adolfo é homenageado no Prêmio Rival

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Maestro, um dos ícones da Bossa Nova, recebe prêmio pelo conjunto da obra

O maestro Antonio Adolfo se ausentou dos compromissos do seu School of Brazilian Music, em Hollywood (FL) por alguns dias, para uma rápida passagem pelo Rio de Janeiro. E a causa da viagem não poderia ser mais importante: ele foi receber a homenagem especial do 6º Prêmio Rival Petrobras de Música, pelo conjunto de sua obra. Este foi um dos maiores reconhecimentos à carreira deste grande maestro, compositor, arranjador e educador, que de um ano para cá tem brindado a nós, moradores do sul da Flórida, com sua presença junto à comunidade.

O Prêmio Rival é entregue a artistas e profissionais fonográficos que produzem suas obras de forma independente. Nunca é demais lembrar que o disco Feito em Casa, lançado em 1977 e vendido pessoalmente por Antonio Adolfo às lojas, representa um marco da produção independente nacional. “Realmente, a obra foi totalmente elaborada de forma autônoma, em todos as etapas, da construção da capa à distribuição”, lembra o pioneiro Antonio Adolfo.

A homenagem ao músico foi um dos pontos altos de uma carreira brilhante dedicada à arte. Toda a estrutura da cerimônia no Teatro Rival girou em torno das obras do maestro e contou com apresentações de Carlos Lyra (padrinho de seu início de carreira), Ângela RoRo (intérprete de inúmeras canções do homenageado), Joyce (grande amiga e participante de uma das faixas do LP Feito em Casa), Mauro Senise e Carol Saboya – esta última, claro, filha do instrumentista.
Outros amigos e parceiros de Antonio Adolfo também participaram da noite de gala, entre eles Tibério Gaspar (co-autor de sucessos como Sá Marina e BR-3, entre outros) e a atriz Vera Holtz, que debutou na cena teatral carioca em 1985 no musical Astrofolias, produzido com músicas do maestro. Foram os dois que entregaram o prêmio máximo da noite a Antonio Adolfo. “Estou muito emocionado por receber essa homenagem. Hoje é um dia inesquecível para mim e fico extremamente orgulhoso com esse reconhecimento”, disse o homenageado, no palco do Rival.

Ele acrescentou que, ao gravar o disco Feito em Casa, não imaginava que existia o termo ‘produção independente’. “Gravei o trabalho porque sentia necessidade de mostrar minha música”, disse. Antonio Adolfo aproveitou para dividir a glória com um de seus principais parceiros: “Se não tivesse tido BR-3, Teletema e Juliana, as coisas teriam sido mais difíceis. Tibério foi de grande importância para a minha carreira”, afirmou. Com exemplar senso de justiça, Adolfo lembrou ainda o pioneirismo de artistas que foram independentes antes dele – casos de Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935) e Tim Maia (1942 – 1998).

Diretora do Teatro Rival, Ângela Leal, destacou a importância de Antonio Adolfo no cenário musical e ressaltou que “a independência está na atitude”. O local ficou lotado de convidados para assistir à premiação e à homenagem especial.

Nós do jornal AcheiUSA, que acompanhamos, como fãs, a carreira de Antonio Adolfo há vários anos e, de uns tempos para cá, como parceiros da School of Brazilian Music, não poderíamos deixar de congratular o grande maestro por mais esta conquista. A homenagem é mais do que merecida.

Parabéns, Antonio Adolfo!