Aplicativo brasileiro oferece terapia sentimental

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Aquele ombro amigo para chorar quando o namoro não deu certo agora virou aplicativo de celular. Um grupo de psicólogos brasileiros lançou no dia 28 de maio o aplicativo “A Fila Anda”, que eles chamam de “primeiro serviço mundial de terapia on-line e virtual focado em relacionamentos amorosos”. Os profissionais responsáveis pelo aplicativo prometem responder perguntas sobre “dor de cotovelo” em até 24 horas e a um preço bem acessível, nove reais.

O aplicativo nasceu da tentativa de ajudar as pessoas a superarem a perda e terem mais “inteligência emocional”, segundo os criadores. A nova ferramenta emocional responde a qualquer dúvida sobre romance, namoro, casamento ou “pegação”, por meio de mensagens enviadas por uma equipe de profissionais, formada por psicólogos, sexólogos, psicoterapeutas e sociólogos.

Na primeira semana depois do lançamento, cerca de 400 pessoas, entre 15 e 60 anos, já haviam baixardo a ferramenta. Com o programa, os clientes – como são chamados – abrem um formulário onde descrevem o problema pelo qual estão passando. A partir daí o time de plantão identifica o perfil do usuário e estabelece um diálogo até que a solução seja encontrada.

A equipe de atendimento tem 37 profissionais, selecionados pelo o pesquisador comportamental Heverton Anunciação, criador do aplicativo. Eles se revezam nas respostas e trabalham em total sigilo, já que em nenhum momento têm o nome revelado. O cliente nunca saberá com quem está falando e não há garantias de que um mesmo psicólogo está acompanhando a história, porque a base de dados é formada a partir dos casos. “A prioridade é atender logo e dar respostas rápidas”, afirma Heverton, que explica ainda que o app pretende ser um serviço de emergência para quando não se sabe o que fazer com as indecisões amorosas.

A falta de relacionamento entre cliente e psicólogo gerou ressalvas entre alguns profissionais da área, que se preocupam que pode estar sendo vendido um serviço impossível de ser praticado dessa maneira. “O tratamento psicoterapêutico é pautado justamente pela relação de confiança estabelecida entre terapeuta e paciente. Isso que o aplicativo promove não envolve o que chamamos de terapia. Podemos entender isso como uma orientação”, afirma João Carlos Alchieri, conselheiro do Conselho Federal de Psicologia.

A psicóloga especialista em relacionamentos Pamela Magalhães concorda. Para ela, o serviço prestado pelo “A Fila Anda” é como uma luz no fim do túnel para quem se sente vulnerável em alguma situação e funciona apenas para estancar a ferida naquele momento. “Qualquer ajuda é bem-vinda e se a ideia é apresentar alternativas para diminuição da angústia do indivíduo, acho que o aplicativo pode ser muito interessante, mas se as feridas e os traumas forem mais profundos, um processo psicoterápico realizado por um profissional especializado e com visitas periódicas faz-se fundamental”, alerta.