Após ataques, 26 estados dos EUA descartam receber refugiados sírios

Flórida está entre os estados; Obama diz que decisão 'é vergonhosa'

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Da Redação com EFE – Pelo menos 26 estados dos Estados Unidos, quase todos sob gestão do Partido Republicano, afirmaram na segunda-feira (16) o que não irão receber refugiados sírios após os atentados da última sexta (13) em Paris, na França.
Os governadores anunciaram a recusa após a descoberta de um passaporte em um dos lugares dos atentados em Paris que estava no nome de um cidadão sírio, embora não haja certeza de que pertencesse realmente à pessoa junto à qual ele foi achado.Os estados dispostos a fechar suas portas aos refugiados são Arizona, Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Illinois, Idaho, Indiana, Iowa, Kansas, Louisiana, Maine, Michigan, Mississippi, Massachusetts, Nebraska, New Jersey, Novo México, Ohio, Oklahoma, Tennessee, Texas e Wisconsin, todos dirigidos por governadores republicanos. A lista, que pode aumentar, também inclui New Hampshire, estado liderado por uma governadora democrata.

Segundo as investigações, um dos suspeitos dos ataques pode ter chegado a Paris após cruzar Sérvia e Croácia como refugiado.

No dia 10 de setembro, o presidente Barack Obama ordenou que seu governo iniciasse os preparativos para que o país receba pelo menos 10 mil refugiados sírios durante o novo ano fiscal, que começou em 1º de outubro, como medida contra a crise migratória que afeta a Europa.

No domingo (15), o assessor adjunto do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, afirmou que o governo ainda planeja receber 10 mil refugiados sírios, apesar do massacre em Paris.

No entanto, à luz dos ataques em Paris, que deixaram pelo menos 129 mortos e mais de 350 feridos, os governadores se mostram reticentes a abrir as portas de seus estados por motivos de segurança.

Um dos governadores que mais elevou o tom contra o recebimento de refugiados foi o do Texas, Greg Abbott, que governa o segundo estado mais populoso dos EUA e enviou uma carta a Obama para explicar suas reservas.

“Como governador do Texas, informo que o estado não aceitará nenhum refugiado da Síria após o letal ataque terrorista em Paris”, afirmou Abbott no texto. “Além disso, eu e milhões de americanos lhe imploramos para que interrompa seus planos de aceitar mais refugiados sírios nos EUA. Um ‘refugiado’ sírio parece ter tido participação no ataque terrorista em Paris”, ressaltou o governador texano.

O governador de Ohio, John Kasich, pré-candidato à indicação do Partido Republicano para as eleições presidenciais de 2016, disse que “de nenhuma maneira” pode ser colocada em “risco” a segurança do povo americano com o recebimento de refugiados sírios.

Na cúpula do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo) em Antalya (Turquia), Obama condenou as recusas a permitir a entrada de refugiados sírios nos EUA: “Isso é vergonhoso, isso não é americano, isso não é o que somos”. “Nós não fechamos nossos corações a essas vítimas de semelhante violência”, afirmou.