Assembleia Geral da ONU aprova moção de apoio presidente deposto de Honduras

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Países da América Latina desaprovam golpe de Estado e retiram seus embaixadores de Honduras

A Assembleia Geral da ONU aprovou na terça-feira, 30 de junho, por unanimidade, com os respaldos de Brasil e Estados Unidos, uma resolução que condena o golpe de Estado em Honduras e pede a restituição imediata e incondicional do presidente Manuel Zelaya, deposto no domingo (28) pelas Forças Armadas.

Diversas autoridades do continente americano participam nesta terça-feira, em Nova York, de uma reunião extraordinária convocada pelo presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D’Escoto. O próprio Zelaya foi convidado a discursar no local.

Zelaya expôs perante os 192 países-membros do organismo a situação em que se encontra seu país após o golpe militar que o afastou do poder no domingo, ação que foi condenada de maneira generalizada pela comunidade internacional.

O documento aprovado “condena o golpe de Estado em Honduras, que rompeu com a ordem democrática constitucional no país, e pede a imediata e incondicional restauração do governo legítimo do presidente Zelaya”, disse Jorge Reina, embaixador permanente de Honduras ante a ONU. Reina pediu a todos os países que não reconheçam “nenhum outro governo que não seja o do presidente Zelaya”.

O mandatário hondurenho foi preso na madrugada do último domingo por oficiais militares e levado à força para a Costa Rica.

De lá, ainda no domingo, um avião cedido pela Venezuela o levou até a Nicarágua, onde na segunda-feira (29) ocorreram encontros de diferentes blocos de integração e consulta latino-americanos, como a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), o Sistema de Integração Centro-Americano (Sica) e o Grupo do Rio.

Zelaya recebeu o apoio de vários governos e entidades multilaterais, entre elas a ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Os países da Alba decidiram retirar seus embaixadores em Honduras até que a ordem democrática seja restabelecida.

Após a destituição de Zelaya, o Congresso de Honduras nomeou para substituí-lo o então presidente da casa, Roberto Micheletti. A crise política tem como motivo uma consulta que ocorreria no domingo e que poderia dar início a um processo de reforma constitucional.

Hondurenhos em Miami apóiam golpe

Os hondurenhos que vivem nos EUA manifestaram apoio à retirada de Manuel Zelaya do poder pela força, pelos militares. “Somos um grupo forte no sul da Flórida e nossa voz deve apagar toda a negatividade que se está disseminando’’, disse Francisco Portillo, presidente do grupo Francisco Morazán, que ajuda os imigrantes hondurenhos em muitas coisas, desde preencher documentos de imigração até inscrever-se para votar.

No sul da Flórida há uma das maiores populações hondurenhas dos Estados Unidos: 49.200 vivem em Miami-Dade, segundo os cálculos de 2007, e há outros 4.000 em Broward.

Em sua maioria vieram durante os anos 80, fugindo da pobreza e agitação política que agonizava países vizinhos centro-americanos como El Salvador e Nicarágua. Outra leva chegou em 1998 depois do furacão Mitch, que acabou com a infra-estrutura do país. Foi devido ao Mitch que muitos hondurenhos puderam ficar nos Estados Unidos com a ajuda de um status temporário.

“Todos estamos entusiasmados’’, disse Mauricio Andino, que veio há 15 anos de Tegucigalpa. ‘‘Somos um pequeno país que demonstra ao mundo que não toleraremos o comunismo e não nos deixaremos intimidar por nada do que estes outros comunistas tenham a dizer sobre nós’’.

Durante a presidência de Manuel Zelaya, foram estreitadas relações com outros líderes latino-americanos de esquerda como o presidente venezuelano Hugo Chávez. Aí, muitos da comunidade hondurenha do sul da Flórida começaram a estabelecer paralelos entre as duas maiores comunidades exiladas do sul da Flórida: cubanos e venezuelanos. Agora, todos estão unidos para evitar a volta de Zelaya ao poder.