Ativistas acreditam na reforma

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Líderes hispânicos esperam que Obama interrompa perseguição aos indocumentados

Os ativistas de entidades de apoio aos imigrantes depositam muita esperança no novo governo: para eles, o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não vai apenas diminuir a perseguição aos indocumentados, como vai conseguir mobilizar o Congresso Nacional americano para consolidar uma reforma imigratória sensata, justa e funcional.

“Não tenho dúvidas que a nova administração impulsionará a reforma”, acredita Oscar Chacón, diretor executivo da Aliança Nacional de Comunidades Latino-americanas e Caribenhas. Ele revelou que, durante uma reunião entre ativistas e assessores de imigração da equipe de Obama, foi reafirmada a vontade do novo presidente em promover mudanças na legislação ainda no primeiro ano de gestão. A reforma, segundo os representantes das entidades, vai permitir a integração de 12 milhões de pessoas em situação irregular no país à sociedade americana.

Nunca é demais lembrar que os latinos representam cerca de 8% do eleitorado e 15% da população dos EUA – ou 45 milhões dos cerca de 300 milhões de habitantes. A expectativa dos ativistas é que Obama demonstre que tem uma maneira de governar totalmente diferente de seu antecessor já nos primeiros dias na Casa Branca. “Com Bush, o país encarava os imigrantes como uma ameaça. Isso vai mudar”, torce Chacón, manifestando sua confiança de que a mudança de poder vai trazer novos ares para a América. Mas os próprios representantes das entidades admitem que há outros temas de igual ou maior importância para serem administrados como prioridade: “Eu diria que imigração está entre os dez mais importantes, mas os principais são mesmo a recuperação da economia e a segurança das fronteiras”, afirma Harry Pachón, presidente do Instituto de Políticas Públicas Tomas Rivera.

Mas nada virá sem uma intensa batalha política no Congresso. Na opinião de Pachón, o mais importante é que os americanos se conscientizem de que os imigrantes não estão tirando os empregos dos cidadãos. “A nomeação da hispânica Hilda Solís como secretária de Trabalho é uma mostra de inclusão dos latinos na direção do país”, disse Pachón. Por parte da Coalizão em prol dos Direitos Humanos dos Imigrantes de Los Angeles (CHIRLA), Jorge-Mario Cabrera Valladares, diretor de educação comunitária, disse que “não haverá uma recuperação total da economia sem que se resolva a situação dos milhões de indocumentados”.