Ativistas planejam passeatas no dia seguinte da posse de Obama

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Uma semana depois do histórico processo eleitoral nos Estados Unidos, que culminou com um triunfo do candidato democrata Barack Obama, ativistas que defendem os direitos dos imigrantes anunciaram uma mobilização nacional para o dia 21 de janeiro de 2009, um dia após a posse do novo presidente. A intenção é mostrar ao futuro líder da nação, aos congressistas e à opinião pública em geral que os mais de 12 milhões de indocumentados do país aguardam uma reforma imigratória ampla e justa.
A concentração principal aconteceria em Washington DC, mas as passeatas seriam agendadas em pelo menos outras 15 cidades, especialmente nos estados onde existem grandes concentrações de latinos, como Flórida, Califórnia, Texas, Arizona e Massachusetts. O apoio da comunidade hispânica a Obama, segundo Angélica Salas, do Movimento por uma Reforma Justa de Imigração, “criou o momento apropriado para lembrar ao novo presidente que existe um problema grave e ainda sem solução”. De acordo com as estatísticas das urnas, o democrata teve mais de 60% do voto hispânico.

Pressão por reforma
Jessica Álvarez, dirigente da ‘National Capital Immigrant Coalition’, é uma das organizadoras da marcha. Para ela, a pressão vinda das ruas deve realmente fazer com que a nova administração tome alguma providência quanto à reforma ainda nos primeiros cem dias de gestão. Por sua vez, Angélica Salas não está tão confiante. “Em Washington, as promessas são esquecidas muito rapidamente. As manifestações servem para mostrar que o voto latino está com quem ajuda a comunidade. Hoje marchamos e amanhã votamos”, ressaltou. A maioria dos ativistas espera que, pelo menos, seja garantida uma forma de renovação das carteiras de motorista e, principalmente, e que o ICE suspenda as operações em locais de trabalho.

Marchas
As grandes marchas pela reforma imigratória que buscam uma via de legalização para a maioria dos indocumentados que vivem na América começaram a ser organizadas em 2006, quando o Comitê de Conferência do Congresso analisava os projetos aprovados tanto no Senado quanto na Câmara de Representantes. Na época, a insatisfação dos imigrantes foi enorme, porque o plano se baseou em um forte componente de segurança, sem contudo tratar de incluir um caminho para a regularização. Depois, o mesmo aconteceu em 2007, quando – apesar do clamor nacional – a idéia estancou por falta de apoio bipartidarista.