Ativistas são presos durante protesto em frente à cadeia de imigração

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Cerca de 500 detentos no Broward Transitional Center estão em greve de fome

Quatro ativistas que defendem direitos dos imigrantes foram detidos durante um protesto na frente do Broward Transitional Center (BTC) durante uma manifestação realizada neste domingo (5) ao meio-dia.

Os detidos – Viridiana Martínez, Daniel Alvarado, Ally Ruiz e Marco Saavedra – estavam sentados no meio da rua à altura do 3900 da North Powerline Road, em Pompano Beach. Policiais do condado de Broward pediram que eles se levantassem porque estavam obstruindo o trânsito, mas, diante da negativa dos ativistas, efetuaram as prisões.”Sem papéis e sem medo”, gritaram enquanto entravam nos carros da polícia.

As detenções foram realizadas durante um protesto no qual participaram membros da Aliança Jovem Nacional de Imigração (NIYA) para denunciar as deportações de indocumentados por parte do governo federal. Aproximadamente 100 pessoas se juntaram em volta do BTC.
Os manifestantes se dirigiram diretamente ao presidente Obama. “Obama, escuta, estamos na luta!” e “Hey, Obama, não deporte minha mãe!’. Estas foram algumas das palavras de ordem mais repetidas.

Alguns dias atrás, os jovens haviam informado sobre sua intenção de serem presos para gerar um confronto com a Polícia de Imigração e Alfândega (ICE) por suas políticas imigratórias.

De fato, Martínez, indocumentada mexicana, já se havia deixado prender de propósito com o objetivo de “infiltrar-se” no BTC para observar a situação dos imigrantes detidos naquele local. Os ativistas disseram ter encontrado mais de 100 detidos que atendem aos requisitos para ser liberados sob a nova política imigratória federal.

O ICE negou esta informação através de seu porta-voz Néstor Yglesias. “Os ativistas da NIYA não podem saber completamente os históricos de delitos e de imigração de qualquer um dos sujeitos que entrevistaram informalmente”, comentou Yglesias.

Durante o protesto, familiares dos detidos relataram suas experiências. De acordo com os manifestantes, César Hidalgo, equatoriano detido no BTC, não está recebendo o tratamento médico que precisa. “Está urinando sangue” acusaram. Hidalgo foi preso por distribuir volantes dentro de um hotel. Segundo os ativistas, ele veio para os Estados Unidos depois de sofrer uma tentativa de homicidio.

Também contaram a história da ucraniana Inga Barysheva que está detida há dois anos e meio. Barysheva tem uma filha de cinco anos, que é cidadã americana.

Emiliano Rojas, que foi detido em 2010 em Fort Lauderdale por não portar identificação oficial e agora está livre, informou que seu pai, Claudio, está no BTC desde fevereiro, e está fazendo uma greve de fome durante os últimos 15 dias.

Segundo os ativistas, cerca de 500 detidos se uniram à greve de fome de Rojas. No entanto, Yglesias negou a informação. “As acusações feitas pela NIYA sobre os detidos no BTC são falsas”, disse.