Ativistas vão à Suprema Corte contra a separação das famílias

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Ação representa o interesse de cinco milhões de menores, filhos de indocumentados

Os advogados que representam cerca de 600 crianças e adolescentes cidadãos americanos filhos de indocumentados apresentaram um pedido formal ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para que sejam interrompidas os processos de deportação dos pais destes menores até que seja aprovada uma reforma imigratória. A ação judicial foi interposta na Suprema Corte do país pela nicaraguense Nora Sandigo, diretora executiva da Fraternidade Americana, uma organização de defesa dos imigrantes, com sede em Miami. “Muitos menores neste país continuam sendo separados dos pais por causa das deportações e o presidente pode suspendê-las. Para isso existem procedimentos legais”, disse Sandigo.Uma demanda similar foi apresentada em 2007 contra o ex-presidente George W. Bush, os Departamentos de Justiça e de Segurança Interna e contra o Serviço de Imigração, mas foi rechaçada pela Suprema Corte.

Um dos procedimentos pretendidos pelos advogados é justamente apresentar o caso ao órgão judicial máximo dos EUA para que, em caso de aprovação, Obama se manifeste sobre o tema.”Esta demanda não significa que estamos contra o presidente, mas apenas queremos que ele use a sua autoridade para acabar com as operações da polícia de imigração”, esclareceu a ativista. Ela tem esperanças que Obama atenda aos pedidos dos indocumentados, já que ele demonstrou a intenção de promover mudanças radiciais na área social. Além disso, acrescentou Sandigo, muitos imigrantes legais ajudaram a eleger o novo presidente e ele saberá retribuir às comunidades de estrangeiros.

Entre os menores listados no pedido figura a nicaraguense Cecia Sosa, de 12 anos, cuja mãe está detida em um centro de imigração em Pompano Beach desde dezembro do ano passado. A menina já anunciou que pretende iniciar uma greve de fome, como medida de pressão. “Só quero que libertem a minha mãe desse centro”, disse Cecia. Katherie Ramírez, de 13 anos, também apresentou a sua reivindicação: “Por favor, reunifique as famílias que a lei de imigração separou”, pediu a adolescente, lembrando que sua mãe foi deportada para a Colômbia em 2007 e que vive, atualmente, com o pai e irmãos. As entidades calculam que existem cerca de cinco milhões de crianças e adolescentes nesta situação.

Alfonso Oviedo-Reyes, presidente da Fraternidade Americana e advogado que elaborou a ação, disse que a deportação dos pais indocumentados representa uma violação dos direitos civis dos menores. Antes de 1996, disse ele, os menores com pais nesta situação tinham o direito de recorrer da deportação até que ficasse provado que a família vivia na América por mais de sete anos e que a separação poderia causar extremos sofrimento. “Os imigrantes tiveram este direito por cerca de 40 anos, mas a reforma imigratória em 1996 acabou com esta cláusula. O Congreso fechou todos os caminhos para que os indocumentados possam obter a residência legal e, por isso, é que o número dos imigrantes em situação irregular cresceu tanto “, afirmou Oviedo-Reyes.