Aumenta a pressão sobre a Câmara de Deputados para aprovar a reforma imigratória

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Organizações pró-imigrantes e empresários organizam lobby e jornadas de pressão sobre a Câmara de Deputados

A nova onda de pressão sobre a Câmara de Deputados para aprovar uma reforma imigratória parece estar dando resultados em menos tempo do que muitos pensam. Nesta quarta-feira (23), o presidente do Congresso, John Boehner (republicano de Ohio), ofereceu a possibilidade de enviar este ano um plano ao plenário para sua votação.

“Continuo pensando que a reforma imigratória é um tema importante que deve ser abordado e estou esperançoso”, indicou.
Mas ainda não há nada de concreto e as regras do jogo continuam vigentes. Após a aprovação no Senado do plano S. 744, que inclui a cidadania para indocumentados que estão nos Estados Unidos antes de 31 de dezembro de 2011 e não tenham antecedentes criminais, a Câmara respondeu que debateria uma versão própria e por partes.

Boehner, além disto, lembrou-se da vigência da Regra Hastert, que só permite levar ao plenário projetos que tenham o respaldo da maioria da maioria, ou seja 118 dos 234 votos republicanos da Câmara.

Enquanto não mudam os requisitos, organizações nacionais que defendem os direitos dos imigrantes, religiosos, empresários e sindicatos, entre outros, não abandonam a nova estratégia e, pelo contrário, advertem que a pressão aumentará.

As campanhas

Na terça-feira (22) em Washington e Arizona ativistas anunciaram uma nova série de eventos que vão desde a desobediência civil até passeatas, vigílias e “tomadas” de gabinetes de congressistas, divulgou o diário La Opinión.

O setor de alta tecnologia localizado no Vale do Silício disse que a partir da próxima semana mais de 200 altos executivos viajarão a Washington para se reunir sobretudo com líderes republicanos, em uma nova tentativa para convencê-los a aprovar uma reforma imigratória abrangente.

Também realizarão um “hackethon”, onde lançarão aplicativos para que os indocumentados consigam, entre outros, conselhos e informações sobre o que fazer enquanto o Congresso debate e aprova a reforma imigratória.

As igrejas também participam de intensas jornadas. Desde sábado, a arquidiocese de Chicago e todas suas paróquias participam de um jejum de 40 dias de orações e alimentos para exigir a reforma abrangente.

Simultaneamente a igreja evangélica dos Estados Unidos lançou jornadas de orações e rezas em favor de uma reforma ampla que inclua um caminho à cidadania para os milhões de indocumentados, assim como o plano do Senado.

Plano sobre a mesa

Também o grupo United We Dream anunciou que atuará em estados como Flórida, Texas, Arizona, Arkansas, New York, Virgínia e outros, e que se concentrarão especificamente em alguns legisladores republicanos para que apóiem o projeto de lei H.R. 15, apresentado pelos democratas em 2 de outubro, disse La Opinión.

O H.R. 15 é uma versão melhorada do plano S. 744 do Senado com mudanças em uma dura emenda de segurança que destina $30 bilhões adicionais ao orçamento, a contratação de 21 mil novos agentes para a Patrulha da Fronteira e a construção de 700 milhas de muro, entre outras medidas.

Por sua vez, o America’s Voice revelou esta semana uma pesquisa desenvolvida em vários distritos eleitorais do Colorado. A pesquisa determinou que a reforma imigratória ajudará os republicanos, mas adverte que castigará com votos aqueles legisladores que não a apoiarem.

Em outras campanhas, os ativistas estão inundando o Congresso com ligações telefônicas e mensagens de texto em apoio à reforma imigratória.

Para que a reforma imigratória seja aprovada na Câmara são necessários 218 votos. A Casa Branca e os democratas asseguram ter os votos, mas a Regra Hastert tem freado o debate, a menos que Boehner a retire e deixe o caminho livre.