Banda Quatro Estações

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Banda de West Palm Beach vem fazendo sucesso com repertório alternativo aos das habituais noites brasileiras na Flórida

Vanuza Ramos

Num sábado habitual, num restaurante brasileiro local, um som diferente chamou a atenção de um pequeno grupo que por ali passava. Um voz aguçada, cantando o sucesso “I Heard It Through The Grapevine”. Mais alguns minutos e ou-tras pérolas seguiram-se: Sweet Dreams (Eurythmics), numa versão sexy lounge; Hotel Califórnia (Eagles), Você é Luz (Wando), Piece of My Heart (Janis Joplin), Garoto de Aluguel (Zé Ramalho), Vapor Barato (Zeca Baleiro) e ou-tras… A diversidade de repertório e a presença de palco da voca-lista Luciana Pires – um misto de Sinead O’Connor com Dolores O’Riordan (Cranberries) prendiam a atenção do público.

Luciana, ao lado dos amigos Edson Stédile (percussão), Wagner Salgado (violão) e Jerônimo (violão e baixo) formam a banda Quatro Estações, que vem se des-tacando na comunidade brasileira como uma alternativa às habituais noites sertanejas da comunidade. A banda é nova.

Surgiu há quatro meses, por acaso, em West Palm Beach – onde eles moram. Todos eram frequentadores do restaurante Be Happy e costumavam tocar uma ou outra música, informalmente. Também informalmente surgiu o convite para tocar numa festa. “A gente tinha um repertório pequeno, mas resolvemos encarar. E a noite foi um sucesso”, conta Wagner. O segredo do sucesso? O repertório diferenciado e as músicas norte-americanas com interpretação única de Luciana. Ela tem estilo próprio que lembra ícones da música irlandesa – loira, cabeça semi-raspada e roupas extravagantes. “E a maior parte do nosso repertório depende dela; é o estilo dela”, revelam os meninos, que não se perturbam com isso. Todos opinam e propõem músicas novas. “Mas não rola se ela não se sente bem interpretando a música”, explicam.

Talvez por essa razão usam o recursos de cantar, eles mesmos, algumas das canções do grupo. Além disso, não é tão difícil para Luciana gostar das músicas. Ela passeia com naturalidade do pop ao rock, reggae e blues. Canta Wando com a mesma naturalidade e conforto com que interpreta o clássico Mercedes Benz (Janis Joplin).

Apesar da presença forte da goiana, os outros integrantes têm igual peso na composição do grupo. São quatro cabeças diferentes, mas com o olhar voltado para a mesma direção: o sucesso. Foi assim que surgiu também a idéia do nome da banda. “Nos inspiramos na banda Legião Urbana (que gravou música e CD com esse nome), e por sermos cada um diferente do outro mas complementares, como as quatro estações”, conta Luciana.

Merece também destaque a percussão inusitada de Edson, o mais jovem da turma. Ele, sentado em cima de um cajon (instrumento de percussão, originário do Perú), tira da sua caixa mágica um som diferente, que completa a proposta musical do grupo e dá um toque especial às músicas. Completam a banda Jerônimo, o mais experiente, e Wagner, o mais purista, que defende com unhas e dentes a proposta da banda de ficar distante do forró e do sertanejo.
“Mas a gente tenta não fazer uma imposição musical. Tocamos o que o povo gosta”, destaca a vocalista. Ela até aprendeu “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” (Hildo) só para satisfazer um cliente do restaurante que sempre pedia essa canção.

Com essa vontade de conquistar os brasileiros – e também o público norte-americano – é que eles vêm tocando em vários espaços alternativos e buscando ampliar e dinamizar a seleção de músicas que têm apresentado semanalmente no restaurante Cozinha Mineira, em Deerfield Beach, e no Be Happy, em WPB. Já arranham umas composições próprias e quando questionados sobre o futuro, não titubeiam: querem se profissionalizar e quem sabe gravar um disco.

PERFIL

Luciana Pires – 25 anos, natural de Goiânia. Começou a cantar aos 15 anos, em uma banda norte-americana chamada Northern Lights, em West Palm Beach. Ficou durante dois anos e partiu para outros projetos. Começou a estudar Jornalismo, mas não aguentou a pressão e resolveu voltar para a música. Cantou na banda Made in Brazil, da Flórida, e durante a volta de um dos shows sofreu um grave acidente que lhe tirou do mercado por algum tempo. Retornou à carreira este ano, uinindo-se aos colegas na formação da Quatro Estações.

Jerônimo Goçalves – 31 anos, natural de Mato Grosso, vem de família de músicos e começou sua história musical aos 12 anos, tocando violão. Aos 16 passou a tocar contra baixo e com este instrumento se identificou mais. Tocou em banda gospel e atualmente se divide entre a Quatro Estações e suas atividades musicais junto à igreja.

Edson Stédile – 25 anos, nascido no Paraná, é o mais enérgico da turma. Estudou violão mas foi “escolhido” pela percussão. “O instrumento é que escolhe você e não o contrário”, afirma ele, que desde pequeno batucava pelas quinas de móveis. Na adolescência atendeu ao “chamado” e hoje não sabe viver de outra forma senão sentado em seu cajon. “Sempre sonhei com isso que está acontecendo agora”, revela, se referindo ao reconhecimento do público.

Wagner Pereira – 26 anos, natural de SP. Aos 15 anos se apaixonou por violão e deu seus primeiros passos também na música gospel. Tocava em grupos de igreja. Frequentador do restaurante brasileiro de West Palm Beach, lá encontrou os novos parceiros com os quais se identificaria e formaria a banda. “A música me alimenta. Para ganhar dinheiro é que temos nossos outros trabalhos”, destaca.