Bispos reiteram que a imigração requer solução a nível federal

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Republicanos rechaçam legalização de indocumentados

Bispos católicos e protestantes do estado de Kansas reiteraram esta semana que a imigração é um tema nacional que requer uma solução federal, não um mosaico de leis estaduais como as do Arizona, Alabama, Geórgia e Carolina do Sul, entre outras. O grupo também exortou o governo do estado a demonstrar civilidade e respeito na discussão sobre a imigração ilegal.

Em um relatório, os religiosos pediram às autoridades eleitas no estado e a nível nacional que equilibrem seu dever de proteger as fronteiras dos Estados Unidos com a tradição da nação de acolher os imigrantes.

Eles pediram ainda ao governo do presidente Barack Obama e ao Congresso que aprovem uma reforma imigratória integral que inclua uma via para a legalização dos milhões de indocumentados.

Simultaneamente solicitaram aos votantes oferecer um tratamento justo aos imigrantes que já se encontram no país. Não achamos que devemos tratar de redigir políticas públicas, disse o arcebispo católico Joseph Naumann, da diocese de Kansas City. Estamos tratando de criar um marco moral como pastores de nosso povo.

Tanto o bispo católico Naumann como o bispo metodista Scott Jones disseram que anteveem um debate sobre a imigração indocumentada nas sessões da legislatura estadual em 2012.

Apoio em outros estados

Em agosto, sete bispos católicos de Michigan pediram mais respaldo para os imigrantes que estão indocumentados nos Estados Unidos, em um documento enviado aos fiéis e ao políticos eleitos em todo o estado. Os religiosos disseram em carta pública que é injusto e errado culpar os imigrantes pelos problemas que devem ser atribuídos mais a uma falida política federal do sistema imigratório.

Eles pediram aos legisladores de Michigan que rechacem iniciativas da lei no estado que ameacem a dignidade dos imigrantes e dividam suas famílias.

Também exortaram aos legisladores federais em Washington que apoiem e promovam projetos de lei federais como a reforma imigratória abrangente, que inclua uma via para a legalização de milhões de indocumentados.

Assunto politizado

A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) assinalou que na última década lutou em favor de uma reforma das leis de imigração, mas o assunto se politizou cada vez mais, o que dificulta a discussão Esté não é só um problema político, é um assunto moral e humano, e nosso papel é ajudar no diálogo.

A Igreja Católica participou entre 18 de setembro e 9 de outubro, junto com igrejas de outras denominações, em uma campanha nacional a favor do Dream Act, projeto de lei que integra a reforma imigratória e que, se for aprovado, dará residência a milhares de jovens indocumentados que entram como crianças nos EUA.

O Dream Act, apresentado pela primeira vez no Congresso em 2001, conta com o respaldo de dezenas de organizações nacionais que defendem os direitos dos imigrantes, dos democratas e da Casa Branca, mas precisa do apoio republicano para ser aprovado nas duas Casas do Legislativo. No entanto, a oposição se nega a aprová-lo e argumenta tratar-se de uma anistia.

O deputado Lamar Smith (republicano do Texas) e presidente do Comitê Judiciário da Câmara, disse em agosto que o Dream Act impediria os americanos desempregados de conseguir postos de trabalho pois milhões de imigrantes indocumentados seriam elegíveis para trabalhar nos Estados Unidos.

O Dream Act também é um convite para a fraude, acrescentou Smith. Muitos imigrantes ilegais de maneira fraudulenta dirão que vieram aos Estados Unidos como crianças, e com isto seriam legalizados uns 2 milhões de indocumentados, argumentou.

Recentemente Smith apresentou o Congresso uma proposta para tornar obrigatória a ferramenta federal E-Verify que, segundo seu plano, permitiria identificar rapidamente aqueles empregados que trabalham ilegalmente nos Estados Unidos para proteger os postos de trabalho para os trabalhadores legais.