Black Friday no Brasil é alvo de desconfiança por parte dos consumidores

0
663

Com a imagem arranhada por falsos descontos, dia de promoções do varejo busca resgatar credibilidade

Black Friday no Brasil é alvo de desconfiança por parte dos consumidores

O comércio brasileiro resolveu há poucos anos “imitar” a famosa temporada de liquidações americana que tem seu ápice na sexta-feira pós Thanksgiving (feriado de Ação de Graças), a Black Friday. Mas esses descontos que podem chegar a 80% nos Estados Unidos são alvo de desconfiança pelos consumidores brasileiros. Eles alegam que os comerciantes sobem os preços para, no dia ou na semana da promoção, voltarem os preços para os valores reais.

No Brasil, as promoções foram realizadas pela primeira vez em 2010, ainda de forma tímida, movimentando R$ 3 milhões em vendas, segundo levantamento da consultoria ClearSale, e cresceram exponencialmente desde então.

No ano passado, o volume movimentado pelos produtos vendidos saltou para R$ 424 milhões–quase o dobro do registrado em 2012, quando o montante já havia sido 117% superior ao de 2011.

Junto com o aumento das vendas, também se multiplicaram os problemas. O site Reclame Aqui recebeu no ano passado 8,5 mil reclamações por causa da Black Friday, 6,2% a mais do que em 2012.

Do total, 27% eram relativas à maquiagem de preços, nome dado à prática de elevar o valor de um produto poucos dias antes da data da promoção para oferecer então um “desconto” em que o preço cobrado é igual ou até mesmo superior ao valor não-promocional.

Em 2013, uma pesquisa do Programa de Administração de Varejo, um centro de estudos em consumo, e da Íconna, empresa de monitoramento de comércio eletrônico, mostrou que o número de produtos que ficaram mais caros na Black Friday foi maior do que o dobro daqueles que receberam descontos. Após o fim do evento, 22,6% das mercadorias oferecidas com “ofertas” tiveram seus preços reduzidos.

‘Black Fraude’
Não por acaso a data acabou sendo apelidada nas redes sociais de “Black Fraude”: a data em que, segundo a piada, os produtos “custam a metade do dobro”.

“Muita gente também se queixou de produtos que se esgotaram nos primeiros minutos da sexta-feira, mostrando que o produto em oferta era apenas um chamariz para os sites”, diz Diego Campos, diretor de operações do Reclame Aqui.

Outro problema recorrente foram as falhas técnicas nos sites, responsáveis por 21% das mensagens enviadas ao Reclame Aqui no ano passado. Consumidores protestaram, porque os sites ficavam lentos, ou eles eram colocados em filas de espera sem que nunca chegasse sua vez.

Para combater a maquiagem de preços e o clima de desconfiança gerado por ela, a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico lançou no ano passado um selo para dar credibilidade às promoções realizadas na Black Friday.

Neste ano, 500 lojas exibirão o selo, mais de trêz vezes acima das 123 varejistas credenciadas em 2013.