Boehner adia votação do plano da dívida

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Sem o apoio necessário na Câmara, presidente da Casa não submete seu projeto ao plenário

A luta para se chegar a um acordo em termos do orçamento federal alcançou novo grau de incerteza nesta quinta-feira à noite quando a liderança republicana na Casa abruptamente atrasou deliberadamente o processo de votação e saiu à procura de mais apoio para sua proposta de aumentar o teto da dívida e evitar um default do governo.

Depois de ter demonstrado confiança durante todo o dia ao afirmar que dobrariam os conservadores mais recalcitrantes para obter a passagem do plano, os republicanos interromperam o processo depois de quase duas horas de debate e os democratas afirmaram que o presidente deste braço do Legislativo, John A. Boehner, ainda não reunia os votos necessários para aprová-lo.

Enquanto isto, os deputados republicanos que estavam opondo-se ao plano foram convocados ao gabinete do presidente para uma rodada com membros do alto clero da Casa que estavam tentando encontrar apoio suficiente para passar a medida, que forneceria um aumento de US$900 bilhões no limite da dívida federal, aceitando uma alteração que contemplaria um pouco mais do que cortes de gastos.
A falha em passar a medida pode representar um derrota fragorosa para Boehner, no primeiro ano do presidente da Câmara Federal que investiu significativo capital político na tentativa de obter a maioria fracionada que garantisse apoio à legislação, que teve o forte apoio de toda a liderança.

Assistentes da liderança republicana disseram que ainda esperavam a votação na quinta-feira à noite para o plano republicano, que estava sendo considerado poucos dias antes do deadline de 2 de agosto estabelecido pelo Departamento do Tesouro para elevar o teto da dívida ou enfrentar a possibilidade de que o governo não ser capaz de cumprir com sua obrigações financeiras. Mas à 6:50 da noite, os líderes pararam todas a negociações no plenário e convocaram um recesso, deixando incerto quando os trabalhos serão retomados.
Mesmo sabendo que a votação não teria chance de ser efetuada, dada às objeções filosóficas de muitos republicanos da Câmara Federal em aumentar o poder de empréstimo do Executivo, alguns republicanos acreditavam ser possível passar a legislação num esforço para forçar o Senado, de maioria democrata, a aceitá-la.

Mas com os democratas não oferecendo votos, mesmo entre os conservadores fiscais do partido, os republicanos evidentemente ficaram aquém do total necessário e Boehner entrou em queda de braço com alguns opositores e convocou-os para um gabinete próximo.
Outros membros republicanos da Câmara Federal que se uniram ao presidente da Casa, em sua desesperada busca por votos, foram Mo Brooks do Alabama, Jeff Flake e Trent Franks do Arizona, e dois novatos do Illinois, Randy Hultgren e Joe Walsh.
O atraso pegou os democratas do Senado desavisados, sobretudo porque o senador Harry Reid, líder da maioria, havia dito na manhã de quinta-feira que pretendia imediatamente isolar o plano da Câmara para que ele pudesse avançar com sua proposta de aprofundar os cortes e alongar o perfil do limite da dívida.

A ação da Câmara poderia causar complicações para o Senado, que enxergou na legislação da Câmara uma maneira de rapidamente iniciar um complicado esforço de procedimentos para por em prática seu próprio plano e devolvê-lo para a Câmara.
A Casa Branca também foi pega de surpresa por acreditar que Boehner tivesse os votos republicanos necessários para passar sua proposta. Integrantes do governo não demonstraram nenhuma reação imediata; qualquer satisfação pública mostraria um desacordo dos republicanos sobre um projeto de lei que Obama ameaçou vetar e pela preocupação de que atrasos adicionais no processo legislativo apenas aumentam as chances de perder o deadline sinistro para aumentar o limite da dívida.

Depois das conversações iniciais, o vice-presidente Joe Biden., que esteve no Senado por quase quatro décadas e age como o representante da Casa Branca para negociar com o senador Mitch McConnell, líder da minoria, não estava em contato com o líder republicano no Senado nesta quinta-feira. Assistentes dos dois políticos disseram que McConnell deixou claro que não queria entrar em nenhum acordo até que a Câmara votasse o projeto de lei de Boehner.