Brasil encara Paraguai no domingo

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Boa partida de Pato, Maicon e Neymar contra o Equador garantiu o primeiro lugar do Grupo B

Pois é, o filme se repete. A Seleção Brasileira entrou na Copa América como favorita, o lado da Argentina. E não é que as equipes recheadas de craques negaram fogo nas duas primeiras rodadas fazendo com que os mais pessimistas antevissem a tragédia de ver as duas principais escolas futebolísticas da América do Sul fora das fases mais importantes da competição.

Mas, como sempre, pouco a pouco as coisas vão voltando ao normal. A Argentina triturou os assustados meninos da Costa Rica por 3 a 0, com direito a show de Messi, e garantiu sua vaga. O Brasil, tão criticado pela imprensa e torcida, mostrou sua superioridade diante de um time equatoriano que dá claros sinais de estar precisando de renovação em seu elenco. Com exceção de Felipe Caicedo e Christian Noboa, quase nada de bom se viu na equipe que deixou a competição com apenas um ponto ganho.

A Bolívia também somou um ponto, justamente contra a poderosa Argentina, na abertura do torneio, e foi desclassificada. Os outros dois eliminados foram os convidados da Concacaf: México e Costa Rica. Os centro-americanos tiveram a sorte de enfrentar os bolivianos e, pelo menos, conquistar uma vitória, enquanto os mexicanos foram os piores, voltando para a Cidade do México com três derrotas na bagagem. É bem verdade que o futebol mexicano está em alta atualmente. Os meninos foram campeões da Copa do Mundo Sub-17 ao baterem o Uruguai na final por 2 a 0, enquanto a seleção principal conquistou a Copa Ouro ao derrotar os Estados Unidos por 4 a 2, garantindo assim o direito de representar a Concacaf na Copa das Confederações que será realizada em 2013 no Brasil.

Voltando à equipe canarinho, pôde-se notar alguns progressos. Pela primeira vez, os jogadores de ataque se movimentaram constantemente para confundir a marcação da defesa equatoriana. Pato, Neymar e Robinho não guardaram posições fixas e contaram com as prestimosas ajudas dos laterais. André Santos foi autor de um centro primoroso para Pato abrir o placar, enquanto Maicon passava como um trator pelo lateral adversário e cruzou para Neymar anotar o último gol do Brasil na partida. O último gol validado pela arbitragem, porque Robinho teria deixado o seu se o bandeirinha não tivesse marcado um impedimento inexistente.

O próximo adversário é o Paraguai, neste domingo à tarde. O mesmo Paraguai que só não venceu o Brasil graças ao gol salvador de Fred nos instantes finais da partida. Acho, porém, que Larissa Riquelme e a torcida guarani devem voltar mais cedo para Assunção. O time do técnico Gerardo Martino vem apresentando muita irregularidade e foi o pior classificado entre as oito equipes que passaram para as quartas de final. E quase ficou fora ao permitir a reação da Venezuela, que perdia por 3 a 1 e chegou ao empate com dois gols marcados no tempo extra.

Desta vez, os destaques foram Maicon, que parece ter ganho a posição de Daniel Alves na lateral esquerda, e os atacantes Pato e Neymar, ambos artilheiros da equipe com dois gols cada. Os meninos encontraram a maneira de jogar e a tendência é o ataque brasileiro subir de produção. As atuações decepcionantes ficaram por conta do miolo de zaga e do goleiro Julio Cesar, que falhou nos dois gols de Caicedo, sendo o primeiro deles o chamado frango.

Mas agora que Mano Menezes descobriu o time ideal, a torcida brasileira grita: “Que venha o Paraguai!”

Má fase preocupa Júlio César

Júlio César é a prova de que até os melhores goleiros do mundo têm que conviver com frangos. O camisa 1 da Seleção deixou uma bola fraca passar por baixo de seus braços na vitória brasileira por 4 a 2 diante do Equador, pela Copa América, e teve de lidar com uma terceira falha significativa em um ano.

A maré de azar de Júlio César teve início na Copa do Mundo, em julho de 2010, quando o goleiro bateu cabeça com Felipe Melo e a Holanda empatou a partida que viria a ganhar e eliminar o Brasil. Na preparação para a Copa América, o camisa um relembrou o lance e contou que sofreu para superar o ocorrido.

A equipe sentiu aquele gol. A gente estava tão bem naquele jogo, em bola que ninguém esperava, e saiu o gol. É o meu pensamento. Foi uma bola morta que dois jogadores foram. Não gosto de apontar um culpado, mas claro que vão falar que falhou, porque quando se perde tem que encontrar culpado. Mas psicologicamente aquele gol abalou, relembrou.

Na Inter de Milão, Júlio César reviveu o pesadelo nas oitavas de final da Liga dos Campeões contra o Bayern de Munique, em março deste ano. O goleiro rebateu um chute fraco de Robben e deixou o time em perigo na partida decisiva. O final, ao contrário da Copa, foi feliz e a Inter passou no sufoco para a fase seguinte.

Após o jogo, Júlio César encarou a nova falha sem medo. Na saída do Estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, deu longa entrevista na qual disse que não foi bem – deu nota 1,5 ou 2 ao desempenho – e não mostrou-se abalado pelo lance. Com a certeza de que os frangos são indesejáveis, mas que devem ser esquecidos rapidamente com novas defesas.