Brasil encolherá 0,42% e terá inflação de 7,27% em 2015, dizem economistas

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Economistas das principais instituições financeiras do país cortaram a previsão de crescimento da economia em 2015, e agora esperam uma retração de 0,42%. Na semana passada, a previsão era de crescimento zero.

Além disso, os analistas consultados pelo Banco Central subiram a previsão de inflação, de 7,15% na semana passada para 7,27% nesta semana, muito acima do limite da meta do governo.

O governo tem objetivo de manter a alta dos preços em 4,5% ao ano, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo –ou seja, variando de 2,5% a 6,5%.

Os analistas também subiram a previsão para a Selic, a taxa básica de juros, de 12,5% para 12,75%. Na sua última reunião, o BC subiu a taxa de juros do país para 12,25%.

A previsão para a cotação do dólar subiu de R$ 2,80 para R$ 2,90.

Entenda o que é o boletim Focus
Toda segunda-feira, o Banco Central (BC) divulga um relatório de mercado conhecido como Boletim Focus, trazendo as apostas de economistas para os principais indicadores econômicos do país.

Mais de 100 instituições são ouvidas e, excluindo os valores extremos, o BC calcula uma mediana das perspectivas do crescimento da economia (medido pelo Produto Interno Bruto, o PIB), perspectivas para a inflação e a taxa de câmbio, entre outros.
Mediana apresenta o valor central de uma amostra de dados, desprezando os menores e os maiores valores.

Multinacionais reclamam
O Brasil se tornou fonte de preocupação em 2014 para boa parte das multinacionais atuantes no país, que se queixaram da economia fraca, aperto no crédito, inflação e câmbio durante a divulgação de seus resultados nas últimas semanas.

Levantamento do jornal Folha de S.Paulo, feito a partir de teleconferências sobre esses balanços, identificou que 85 empresas estrangeiras citaram o Brasil em seus comentários.

Do total, 54 apresentaram reclamações. Para 12 delas, a atual situação econômica do país não está impactando os resultados, enquanto 19 veem boas oportunidades no país.

O setor de veículos se destaca entre as reclamações. Empresas como Daimler (dona da marca Mercedes), Volvo, GM, Ford e Scania apontaram a baixa demanda, o ambiente difícil para os negócios e o câmbio como obstáculos a um bom desempenho neste ano no país.

Para as multinacionais, a alta do dólar prejudica a conversão dos lucros apurados em reais para a moeda norte-americana. Em alguns casos, também provoca um aumento de custos na moeda local.

“Estamos acompanhando de perto o que está acontecendo com o real. Historicamente, não temos sido capazes de recompor isso totalmente com aumento de preços”, diz Chuck Stevens, vice-presidente da GM.

A expectativa de um ano ruim é mais forte entre as fabricantes de caminhões, preocupadas com o menor volume de recursos do PSI (programa que facilita a compra de caminhões) e a alta dos juros nas operações.

“Depois dos subsídios, é a hora da ressaca. Estamos antecipando para este ano uma queda de 10%, aproximadamente”, disse a analistas Wolfgang Bernhard, chefe da divisão de caminhões e ônibus da Daimler. Em 2014, o desempenho da unidade no Brasil já teve queda de 13%.