Brasil fica em 8º em ranking sobre mudanças do clima

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Recusa brasileira em discutir metas para desmatamento irrita ONGs

O Brasil ficou em oitavo lugar num ranking de 56 países que mede o desempenho deles em relação aos desafios das mudanças climáticas.
O ranking, organizado pela entidade alemã Germanwatch e pelo grupo de ONGs Rede de Ação sobre o Clima – Europa (CAN-E, na sigla em inglês), foi divulgado nesta segunda-feira em Nairóbi, no Quênia, durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.

Brasil subiu uma posição em relação ao ranking do ano passado, o único que havia sido feito até então. No entanto, a comparação entre as posições no ranking pode ser enganosa, porque o número de países avaliados aumentou de 53 para 56 entre um ano e outro.

O desempenho do Brasil é irregular entre as áreas abordadas na composição do ranking. O país foi muito bem avaliado no critério de emissões de gases do efeito estufa: o Brasil produz relativamente pouco deles porque tem uma base energética limpa (principalmente hidrelétricas) e a tendência é de pouco aumento no futuro.

Por outro lado, o país ficou entre os cinco países com políticas públicas apontadas como mais negativas pela entidade em relação às mudanças climáticas.

Como as políticas públicas têm um peso de apenas 20% no cômputo geral do ranking, o Brasil conseguiu manter sua posição entre os dez países com melhor desempenho, embora ficando atrás, por exemplo, da Argentina (7º lugar) – que emite relativamente mais gases do que o Brasil, mas tem políticas públicas consideradas mais positivas.

“Na área de políticas públicas, tanto em questões domésticas como nas negociações internacionais, o Brasil poderia estar bem melhor se fosse uma força mais progressista em relação às negociações de mudanças climáticas. Podemos dizer que é basicamente culpa do governo brasileiro que o país não esteja bem nesta avaliação”, disse diretor da CAN-E, Matthias Duwe.

Brasil

A delegação brasileira em Nairóbi não quis comentar o ranking divulgado pelas ONGs.

Os dez melhores
1. Suécia
2. Grã-Bretanha
3. Dinamarca
4. Malta
5. Alemanha
6. Argentina
7. Hungria
8. Brasil
9. Índia
10. Suíça
Fonte: Germanwatch e Rede de Ação sobre o Clima – Europa (CAN-E)

O Brasil já havia sido criticado na semana passada por ser – na visão de muitas organizações internacionais – um dos países que não querem a revisão do Artigo 9 do Tratado de Kyoto, para estabelecer metas de cortes de emissão de gás carbônico para depois de 2012.

Na sexta-feira o Brasil ganhou, por conta desta controvérsia, o “prêmio Fóssil do Dia”, concedido diariamente ao país considerado como o de atuação mais negativa nas atividades da conferência.

Mas o chefe da delegação brasileira em Nairóbi, Luiz Alberto Figueiredo, diz que as ONGs que concederam o “prêmio” entenderam mal a posição do Brasil, que na verdade aceitaria discutir futuro mas sem admitir a reabertura de qualquer decisão já estabelecida no protocolo de Kyoto.

“Explicamos essa posição para as ONGs (que concedem o Fóssil do Dia) e esperamos que eles tenham entendido. A questão é que o Brasil defende a estratégia de negociações adotada no ano passado em Montreal e não queremos mudanças de última hora”, disse o diplomata.

Os dez últimos
46. África do Sul
47. Austrália
48. Coréia do Sul
49. Irã
50. Tailândia
51. Canadá
52. Uzbequistão
53. Estados Unidos
54. China
55. Malásia
56. Arábia Saudita
Germanwatch e Rede de Ação sobre o Clima – Europa (CAN-E)

Outra coisa que incomoda as ONGs é a recusa do Brasil em estabelecer qualquer tipo de meta a ser cumprida pelos país, seja em relação a emissões de gases do efeito estufa, seja em relação a temas como o desmatamento.

Florestas

O diretor-executivo da German Wacth, Christopher Balls, diz que a redução no desmatamento no Brasil não teve impactos positivos no ranking preparado pela entidade porque não foi algo decorrente de políticas públicas, mas apenas de desaquecimento na atividade econômica.

“Se o Brasil instituir uma política que efetivamente reduza o desmatamento isso sim teria impactos positivos na classificação do país”, diz ele.

No topo do ranking deste ano ficou a Suécia, seguida da Grã-Bretanha e da Dinamarca. Os países com pior desempenho foram a Arábia Saudita, a Malásia, a China e os Estados Unidos.

“Mas é importante explicar que este é um ranking comparativo, mostrando que países estão melhor e quais estão pior mas ninguém está tão bem. Se fosse uma competição, nenhum desses países ganharia a medalha de ouro”, disse Matthias Duwe.