Brasil fica fora de expansão do ‘clube dos ricos’

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Ministros da Economia de 30 países participaram de reunião em Paris

Apesar de rumores de que o Brasil poderia se tornar membro permanente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne os países mais industrializados do mundo, a entidade não realizou o convite formal de adesão ao país durante a reunião anual de seu conselho ministerial, encerrada nesta quarta-feira em Paris.

O chamado “clube dos ricos” anunciou hoje o início das negociações para a adesão de cinco novos países: Chile, Rússia, Eslovênia, Estônia e Israel.

O Brasil foi incluído apenas em um grupo de países com os quais a OCDE deve reforçar sua cooperação, com a possibilidade de uma eventual adesão futura. Índia, China, Indonésia e África do Sul também passaram a ter esse novo status.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que participou da reunião da OCDE em Paris, minimizou, durante entrevista coletiva na terça-feira à noite, a importância de uma associação plena à organização.

“Estamos no grupo certo”, disse ele, em referência aos demais países que integram a lista de “parceria reforçada”.

“Entrar na OCDE não é uma reivindicação nem uma aspiração do Brasil. Antigamente se dizia que era preciso entrar na OCDE porque isso seria um selo de qualidade. O Brasil já tem seu selo de qualidade por sua política econômica e social, e não precisa mais buscar isso”, declarou o ministro.

Condições

Mas Amorim ressaltou que o Brasil está interessado em participar de fóruns onde são discutidos temas que podem ter influência sobre a economia mundial.

O Brasil, diz o ministro, está interessado nos sinais de aproximação dados pela OCDE, mas isso dependeria das condições exigidas para a entrada na organização.

“Precisamos saber se não seria exigida a saída do G-77 e do grupo de países em desenvolvimento. O Brasil não aceitaria se afastar desses grupos”, afirmou Amorim.

Além disso, há a questão do respeito à propriedade intelectual, uma exigência da OCDE. Mas o ministro defendeu uma “flexibilização” em determinadas situações, como o caso de quebra de patentes de medicamentos contra Aids.

“Precisamos ter flexibilidade em relação à propriedade intelectual para que o Brasil possa realizar políticas socialmente justas”, disse o ministro.

“O movimento de adesão tem vindo mais da parte da OCDE. Estamos correspondendo, assistindo às iniciativas e vendo onde elas vão chegar”, disse Amorim.