Brasil vê etanol como rota rápida para virar potência, diz jornal

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O Brasil espera que o etanol ajude a acelerar sua lenta ascenção como potência econômica, diz reportagem na edição desta quarta-feira do jornal americano The Christian Science Monitor.

“Ao sobrevoar o coração do Brasil, uma vasta savana, conhecida aqui como cerrado, pode-se confundir o cenário com Iowa, Kansas, ou praticamente qualquer lugar no cinturão agrícola dos Estados Unidos”, diz a repórter Sara Miller Llana.

Segundo ela, “até fazendeiros americanos chegaram para se unir ao boom que, nos últimos anos, posicionou o Brasil para superar os Estados Unidos como a superpotência agrícola do mundo”.

“No ano passado, o Brasil suplantou os Estados Unidos como maior exportador de soja. A isso se seguiu ter chegado ao primeiro lugar na exportação de carne bovina em 2004. E agora que o alto preço do petróleo e preocupação com mudanças climáticas despertaram uma demanda global por combustíveis alternativos, o Brasil tem o objetivo de dobrar sua produção de cana-de-açúcar para etanol na próxima década.”

A reportagem diz que a importância do Brasil foi demonstrada esta semana durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, “onde os dois países anunciaram planos de quadruplicar o comércio (bilateral) para US$ 10 bilhões até 2010 e estimular o uso de biocombustíveis pela Índia”.

“As duas potências econômicas em emergência também têm o objetivo de fortalecer a cooperação como vozes vigorosas do mundo em desenvolvimento antes de iniciarem as conversações do G-8 na Alemanha nesta semana.”

O fortalecimento da posição do Brasil nas negociações de comércio internacional também foi mencionado na reportagem do Christian Science Monitor.

“Na medida em que o agrobusiness do Brasil floresceu, (o país) ganhou importantes disputas comerciais contra os Estados Unidos, inclusive a remoção de subsídios ao algodão, e liderou uma coalizão de nações em desenvolvimento contra subsídios dos Estados Unidos em geral e tarifas européias dentro da Rodada de Doha (negociações para a liberalização do comércio internacional).”

Para o jornal americano, “a ascenção do país como celeiro do mundo – uma transformação possível por uma abundância de terras e sol, décadas de recursos investidos em pesquisa, e uma crescente demanda de países em desenvolvimento como Índia e China – tem implicações para o retrato da agricultura mundial hoje”.

“Hoje o Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, carne bovina, carne de aves, café, suco de laranja e tabaco”, e embora “um mercado internacional para o etanol ainda seja incerto”, se isto se firmar, “o Brasil será certamente um fornecedor central” no mundo.

“Sua produção de etanol é muito mais eficiente do que a dos Estados Unidos, que produzem etanol a partir de milho.”

A reportagem ressalta, contudo, que o caminho para se tornar potência econômica não será fácil para o Brasil. Um de seus principais desafios é “falta de infraestrutura”.

“Um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou que só 10% das estradas do país são pavimentadas. Isto contribui para o alto custo do transporte na exportação de soja, por exemplo – o dobro do que custa nos Estados Unidos.”

O desmatamento é outro problema citado pela reportagem, com a expansão de plantações de soja e cana-de-açúcar mata adentro.

“‘O Brasil precisa decidir o quanto está desejando sacrificar de seus recursos naturais para ajudar outros países com suas necessidades energéticas e com suas necessidades de soja”, disse Randy Curtis, um especialista em infraestrutura latino-americana (na organização) The Nature Conservancy.”

Outra questão levantada na reportagem é quem se beneficia com o desenvolvimento do setor agrícola: se grandes multinacionais ou pequenos agricultores.

“Muitos agricultores pequenos, de subsistência, foram deslocados”, diz a reportagem.