Brasileira ganha destaque retocando obras de arte em Paris

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Radicada na França, a baiana Regina Moreira restaura obras dos grandes mestres no museu do Louvre e acaba de receber um prêmio do senado francês

Regina MoreiraEla só atende a milionários e à realeza européia. Seu trabalho é minucioso e delicado. Pelas suas mãos passam obras de artistas que muitos mortais apenas viram em livros ou pela TV. A baiana Regina Moreira tem sua marca por todo o museu do Louvre, em Paris.
Recentemente, pelo seu trabalho de restauração de obras de arte ela foi homenageada pelo senado francês.

No museu do Louvre não é difícil cruzar com alguma obra que tenha passado por suas mãos. Quadros de pintores renomados, como Rafael (1483-1520) e Francisco de Goya (1490-1576), e até mesmo a icônica “Mona Lisa” de Leonardo da Vinci (1452-1519), têm o dedo dela. Mesmo assim, o nome da baiana Regina Moreira não figura nas fichas técnicas ao lado dos grandes mestres da pintura mundial.
Regina é a única brasileira habilitada pelo Centro de Pesquisa e Restauração dos Museus da França para recuperar as pinturas dos acervos nacionais. Num reconhecimento da importância do trabalho executado por ela há 40 anos, Regina foi recentemente homenageada pelo senado francês pelos relevantes serviços prestados à cultura.

O Louvre, o maior e mais visitado museu do mundo, é apenas um de seus clientes. Ela atende os mais importantes museus europeus, além de clientes como o milionário egípcio Mohamed Al-Fayed, e atendia ao príncipe Rainier (1923-2005), de Mônaco. “É preciso ser muito discreto e humilde para exercer essa profissão”, pontua ela, que veio ao Brasil em 2009 para restaurar uma obra de Nicolas Poussin (1594-1665), presente do governo francês ao Museu de Arte de São Paulo (MASP).”Passo sempre as férias no Brasil, mas é muito complicado realizar meu trabalho lá, porque não há infraestrutura como na França”, lamenta ela.

“Regina é uma restauradora muito respeitada em toda a Europa. Ela recebeu formação do governo francês para realizar esse trabalho de diálogo entre a ciência e a história”, explica Pierre Curie, chefe da área de pintura do departamento de restauração do Centro de Pesquisa e Restauração dos museus franceses, onde Regina atua ao lado de mais 70 profissionais. Solteira e sem filhos, a brasileira viaja com frequência e gosta do desafio de trabalhar em obras de valor imensurável. “Somos os médicos da arte e só atuamos quando temos todas as informações necessárias”, ressalta. A maior vantagem da sua profissão? “Imagina o privilégio de ter essas grandes pinturas só para você? Poder admirá-las por horas, sozinha. Meu trabalho é um prazer”, comemora.