Brasileira pede $20 milhões para website

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Doriana da Silva afirma que machucou os pulsos de tanto digitar perfis falsos para o site Ashley Madison

DA REDAÇÃO, COM CANADIAN PRESS/CBC.CA – A brasileira Doriana Silva, moradora de Toronto, Canadá, está processando o website Ashley Madison, especializado em encontrar amantes para pessoas casadas. Ela está exigindo $20 milhões em dólares canadenses ($18 milhões de dólares americanos) afirmando que machucou os pulsos e braços de tanto digitar cadastros falsos de amantes brasileiras para a nova versão do site em português.

O processo está em andamento desde o ano passado, mas este mês o website resolveu contra-atacar e agora também está processando a brasileira por ter ficado com o ‘material de treinamento’. Ela alega que o material não pertence à direção do website e que são provas de que ela digitou quase mil cadastros falsos para atrair homens e fazê-los gastar dinheiro se inscrevendo no website à procura de amantes brasileiras.

O website foi criado em 2001 oferecendo cadastros de pessoas (homens e mulheres, heterosexuais e homossexuais) à procura de um(a) amante. Atualmente o website afirma que tem quase 25 milhões de cadastros. Em 2013, o Ashley Madison foi banido no Japão, Índia e Hong Kong.

O processo contra Silva tenta recuperar todos os documentos assim como exige uma indenização de $100 mil dólares canadenses (cerca de $90 mil dólares americanos) e custas processuais.

Em sua defesa, Doriana disse que tem cópias de todos os cadastros falsos que ela criou e outros documentos relacionados com a criação ‘do perfil de cada brasileira interessada em ser amante’. Ela afirmou ainda que tentou, por diversas vezes, comunicar à empresa o problema nos pulsos, mas foi obrigada a finalizar os cadastros.

O advogado de Silva, Paul Dollak, afirma que o valor de $20 milhões que ela exige tem como base o quanto o website lucrou com os cadastros falsos das brasileiras fictícias. Doriana teria sido contratada por $34 mil dólares canadenses (cerca de $30 mil dólares americanos) e o primeiro projeto do novo trabalho seria criar em três semanas quase mil cadastros de brasileiras. No processo, ela garante que não sabia da possibilidade da prática ser ilegal e que inclusive havia recebido da empresa a informação de que a criação de cadastros fantasmas era normal nesse tipo de negócios.

No site da Ashley Madison, cujo slogan é “A vida é curta. Tenha um amante”, a empresa alerta os usuários de que não faz nenhum tipo de triagem das pessoas cadastradas e por isso não poderia garantir a autenticidade dos cadastrados.

O contrato de trabalho entre Doriana e Ashley Madison teve início em 2011. Depois que se recusou a trabalhar afirmando que estava com problemas nos pulsos, a brasileira teria procurado serviços médicos no Brasil. O que seria apenas um viagem de três semanas, teria durado entre junho de 2011 e início de 2012. Até hoje, ela estaria impossibilitada de trabalhar.

A companhia afirma que manteve a promessa de garantir o emprego de Doriana pelos seis meses que ela passou no Brasil. No entanto, quando a brasileira retornou a Toronto, a empresa foi surpreendida por uma carta de seu advogado afirmando que ela precisava de outros seis meses de licença médica.

A Ashley Madison juntou ao processo que move agora contra Doriana, fotos da brasileira em férias em várias praias como prova de que ela não está inválida. Inclusive fotos das páginas de seu perfil no Facebook que ela mantém atualizada mesmo afirmando ter problemas para usar o teclado do computador.

A companhia reclama que durante o período que Doriana estava de licença médica ela exigiu o pagamento do salário e até aumento. Somente depois que a empresa recusou a pagar ela resolveu abrir o processo e exigir os $20 milhões. Doriana contra-ataca em seu depoimento no processo afirmando que a empresa não a ajudou com os custos do tratamento médico.

O porta-voz da Ashley Madison, Paul Keable, afirma que a brasileira só reclamou das dores no pulsos após o período de experiência no trabalho. Ele afirmou ainda que a empresa tentou acomodar os pedidos de Silva, mas ela havia recusado. A empresa teria encaminhado-a para avaliação médica por uma clínica independente, e o problema nos pulsos não foi comprovado.