Brasileira relata como fugiu de uma relação abusiva

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“Depois de 26 anos saí do abismo”, conta Célia Andrade

Um brasileiro foi condenado a 109 anos de prisão por abusar física e emocionalmente da própria filha (veja matéria completa na página 14 desta edição) e a enfermeira Penha Quitéria e a dona de casa Sílvia Rosa morreram assassinadas pelos próprios maridos. Casos que, coincidentemente, aconteceram nas últimas semanas e que guardam entre si a triste sina de envolver brasileiras imigrantes em ocorrências de violência doméstica aqui nos Estados Unidos. Mas há exemplos de mulheres que quebraram o paradigma.

A frequência destes crimes está chocando não apenas a nossa comunidade, mas também as autoridades americanas e entidades de assistência às vítimas, que buscam soluções para acabar com o problema através da informação. No norte do país, por exemplo, a organização ‘My Sister’s Place’ atende mulheres de todas as nacionalidades, mas os diretores da entidade já aumentaram o número de voluntários e profissionais que falam português, devido ao aumento de casos com brasileiras. “Felizmente elas estão se conscientizando da importância de denunciar os abusos”, revelou Michel Toone, que integra o setor de Aconselhamento da My Sister’s Place.

Aqui na Flórida, o capítulo local do Women in Distress, do mesmo modo, tem recebido cada vez mais brasileiras que superam a barreira da vergonha e do medo para denunciar seus parceiros. “As mulheres precisam entender que este é um comportamento violento e coercivo, que se não for rechaçado logo pode resultar em tragédia, como acompanhamos frequentemente. Isto é uma questão de vida ou morte”, afirmou a brasileira R., voluntária da Women in Distress em Fort Lauderdale – ela própria vítima de abuso por parte do ex-marido, num passado bem recente. Ela diz que demorou a se livrar de uma relação abusiva, mas tudo mudou depois da separação.

Esta também é a experiência de Célia Andrade, mineira de Coronel Fabriciano, que passou mais de 25 anos ligada a um casamento destrutivo. “Sou descendente de uma família muito bem estrutrurada e que costuma manter os matrimônios para sempre. Logo vi que meu ex-marido era violento, mas tinha esperança de ser feliz ao lado dele e dos nossos dois filhos”, conta ela. Durante quase três décadas ela suportou violência física e o machismo do parceiro, até que um dia saiu de casa e nunca mais voltou, deixando para trás até a casa que ajudou a pagar. “Hoje vivo de aluguel, mas não me sinto uma derrotada. Muito pelo contrário, estou orgulhosa de ter criado filhos maravilhosos e eles estão do meu lado”, afirma Célia, que se mudou da Flórida para a Califórnia.

Ao contar o seu drama, a mineira espera contribuir com outras mulheres que vivem a mesma situação. “Se você se sentir abusada, mesmo por um simples ato ou gesto, corte o mal pela raiz.Eu perdi 26 anos dando chances ao abusador e nada disso o fez mudar. Mas eu, finalmente, saí do abismo”, finaliza Célia.

Sites úteis:
www.womenindistress.org
www.mysistersplacedc.org