Brasileira transferida do hospital de Broward morre durante a viagem de volta ao Brasil

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Dimitria, de Taubaté, interior de São Paulo, faleceu durante uma escala em Manaus, na quarta, 10 de outubro, enquanto viajava para o Brasil com o noivo Daniel Domingues

 Dimitria Rocha Carvalho

A brasileira Dimitria Rocha Carvalho, 21 anos, morreu na manhã de ontem (10) em Manaus (AM) durante a transferência de hospital Broward North para São Paulo. Segundo a família, mesmo sem ter o aval do médico americano que acompanhava seu caso, o hospital insistiu em transferi-la para o Brasil. Ela estava internada no hospital em Deerfield Beach desde que sofreu um acidente de trânsito em janeiro deste ano. Seis meses depois, a conta do hospital já ultrapassava $1 milhão e pela última entrevista dada a equipe do jornal AcheiUSA, em junho desse ano, ela deveria permanecer na unidade pelo menos até dezembro.

No entanto, na terça-feira (9), a família recebeu o aval do hospital para transferi-la para o Brasil. Segundo a mãe, o próprio Broward Health teria alugado o jato que a levou para o Brasil num voo que duraria 12 horas com três escalas. Na primeira parada, em Manaus (AM), Dimitria passou mal e a equipe brasileira do Corpo de Bombeiros tentou ajudá-la, mas a estudante acabou falecendo na ambulância.
A mãe de Dimitria, Rosangela Rocha, não havia embarcado com a filha porque ainda teria que resolver assuntos relacionados ao seguro. Ela acusa a administração do hospital de tentar “se livrar” da filha embarcando-a para o Brasil mesmo sem condições de saúde para amenizar as perdas financeiras do hospital com os seus cuidados.

Dimitria e o noivo, o também estudante brasileiro, Daniel Domingues, 23 anos, tinham vindo aos Estados Unidos para estudar inglês, quando aconteceu o acidente em janeiro deste ano. A estudante chegou ao Broward North Hospital com apenas 1% de chance de sobreviver. Depois de três meses em coma, outros dois meses no semi-intensivo ela foi transferida para um quarto e foi surpreendida com o pedido de casamento de Daniel.

A história de superação da brasileira ainda teve mais episódios marcantes. Poucos dias depois de ser transferida para o quarto ela teria caído da cama e voltado ao coma por mais alguns dias. Na época, a família reclamou dos serviços do hospital e possível descaso de enfermeiros que teriam deixado a grade de segurança da cama onde ela dormia sem a trava. No entanto, com medo de represálias por parte do hospital, a família não levou as queixas adiante.

A mãe de Dimitria embarcou hoje (10) para Manaus para liberar o corpo da filha. No aeroporto, ela ligou para a redação do Jornal AcheiUSA para contar sua indignação com as autoridades hospitalares americanas que teria forçado a transferência. “Minha filha morreu. Ela saiu daqui ontem bem, mas o médico havia falado que o estado dela ainda não era bom. A administração insistiu. Ela não aguentou.”, disse Rosangela muito emocionada, enquanto era amparada por amigos no aeroporto de Miami.