Brasileiro é preso sem motivo

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Adenis Araújo foi detido no dia 17 de setembro por uma ação arbitrária de um policial de Broward

Adenis Araújo é mais um dos muitos brasileiros que deixaram o Brasil em busca de um sonho melhor, ou pelo menos de uma condição de trabalho que pudesse lhe proporcionar um salário digno como merece um pintor profissional, que ele é.

O sonho de Adenis, porém, transformou-se em pesadelo na noite de sábado, 17 de setembro, conforme conta o próprio mineiro de Governador Valadares, que vive nos Estados Unidos há quase nove anos: Peguei minha bicicleta, fui à praia na Hillsboro Boulevard e depois fui até a Atlantic Boulevard. Por volta das 8 horas da noite, estava subindo pela Federal, na altura do Club Cinema, quando fui parado por uma pessoa num carro preto.

O indivíduo desceu do veículo, que depois Adenis veio a saber que se tratava de um carro de polícia disfarçado (undercover), e logo foi intimando o mineiro a mostrar um documento de identidade. Estupefato, Adenis apenas teve tempo de balbuciar que não tinha nenhum documento de identidade com ele, porque havia saído a passeio.

Sem procurar entender a situação, o homem, que depois identificou-se como policial, começou a inquiri-lo. Neste meio tempo, chegou outro policial e Adenis sentiu-se impotente naquela situação. Tomado pelo medo, ele mal conseguia responder às indagações do sujeito, que passou a gritar: Você não fala inglês? Fale inglês!.

O brasileiro ainda tentou argumentar que falava, sim, um pouco de inglês, mas o policial não lhe deu chance para se explicar. Sacou as algemas, e disse a ele: Isto aqui você vai entender. Ajudado pelo companheiro, colocou as algemas e levou Adenis para uma prisão em Pompano Beach, perto da própria Federal, ao sul da Atlantic.

Acusação forjada

Como não havia nenhuma acusação formal contra Adenis, eles mesmo o batizaram de Marcos Rodrigues e queriam fotografá-lo com este nome. Indignado, ele jogou fora a ficha e afirmou que seu nome não era este.

Talvez por terem julgado o ato dele como insolente e desacato à autoridade, os policiais confiscaram o celular e a bicicleta de Adenis, impedindo-o de se comunicar com alguém sobre o ocorrido. Os policiais sequer permitiram que ele desse um telefonema para informar sobre seu paradeiro. O próprio AcheiUSA, na última edição, publicou uma matéria sobre seu desaparecimento.

Por sorte dele, um colega chamado Adalberto conseguiu saber onde ele estava e entrou em contato com suas irmãs duas delas vivem aqui e são cidadãs americanas. Uma delas foi até a delegacia, pagou uma fiança de $100 e ele foi liberado. Não apanhou, é verdade, mas se queixou da comida racionada que lhe deram.

As marcas que ficaram em sua alma, porém, são profundas. Enquanto conversava com a reportagem, lágrimas de dor escorriam pelos olhos de Adenis. Este homem, de 41 anos de idade, é um verdadeiro giramundo. Saiu de Governador Valadares, morou em Londrina, no Paraná, e viveu na Europa (Portugal e Espanha), mas garantiu nunca ter sido humilhado desta forma. Tanto que ele está pensando seriamente em deixar os Estados Unidos: Acho que até o final do ano vou embora. Isto é um absurdo, não preciso passar por este tipo de situação.

Entretanto, Adenis está namorando uma brasileira, que possui cidadania americana, e quer casar-se com ele. Agora, está avaliando se vale a pena ficar aqui, regularizar seu status imigratório e viver condignamente sem ser vítima de racismo. Ou, então, voltar para sua terra e reencontrar seu filho de apenas 13 anos, que é um cantor evangélico com um futuro promissor.

Como em todas as situações, por pior que seja, há sempre espaço para o humor. Adenis contou ter ganho três mil dólares numa raspadinha. Os amigos, porém, imaginaram que ele tivesse ganho três milhões de dólares. O pessoal pensou que eu tivesse ido para Tallahassee para receber esta fortuna e desaparecido, contou Adenis. Antes fosse!